Laos e Mianmar foram responsáveis por 18% da produção global neste ano, com 893 toneladas. Estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime aponta relação direta entre pobreza e cultivo da papoula.

Sementes de papoula sendo coletadas. Foto: UNODC
Estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), divulgado nesta quarta-feira (18), mostra um aumento de 22% na produção de ópio da região do Triângulo Dourado – formada por Mianmar, Laos e Tailândia – na comparação deste ano com o anterior.
Em 2013, Laos e Mianmar produziram 893 toneladas de ópio, 18% da produção global, o que representa 2,7 vezes mais do que as 326 toneladas produzidas em 2005. Este é sétimo ano consecutivo a registrar crescimento na produção de papoula na região.
De acordo com a “Pesquisa do Ópio no Sudeste Asiático 2013”, o crescimento foi liderado por Mianmar, com um cultivo de papoula 13% maior que em 2012, alcançando 57,8 mil hectares, elevando em 26% a produção de ópio, com estimadas 870 toneladas.
“Esses números deixam claro que precisamos intensificar os esforços para resolver as raízes das causas do cultivo e promover alternativas para o cultivo da papoula”, disse o representante regional do UNODC para o Sudeste Asiático e o Pacífico, Jeremy Douglas.
“Precisamos agir rapidamente. O Triângulo Dourado é o centro geográfico da grande sub-região de Mekong e planos estão em andamento para expandir o transporte e a infraestrutura e diminuir as barreiras comerciais e os controles de fronteira em toda a região. As redes do crime organizado que se beneficiam do comércio ilícito de drogas estão bem posicionadas para tirar proveito da integração regional”, explicou Douglas.
O estudo sobre fazendeiros nas aldeias de plantação de papoulas no Triângulo Dourado mostra ainda que o dinheiro do cultivo é essencial para os aldeões ameaçados pela insegurança alimentar e pela pobreza.
“Agricultores do ópio não são pessoas más, são pessoas pobres. O dinheiro do cultivo da papoula é uma parte essencial da renda familiar”, disse o diretor do UNODC em Mianmar, Jason Eligh. “Aldeões ameaçados com insegurança alimentar e pobreza precisam de alternativas econômicas sustentáveis ou vão continuar, por desespero, cultivando o ópio como uma colheita de dinheiro.”
Mianmar é o maior produtor de ópio no Sudeste Asiático e o segundo maior no mundo, depois do Afeganistão. O estado de Shan permanece o centro das atividades de ópio em Mianmar, sendo responsável por 92% do cultivo de papoula, com o restante localizado principalmente no estado de Kachin. No Laos, a pesquisa do UNODC confirmou o cultivo da papoula em três províncias no norte: Phongsali, Xiangkhoang e Houaphan.