Na América do Sul, um período de seca afetou Brasil e Argentina, mas uma produção acima de média é esperada devido ao aumento das plantações.

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) divulgou nesta quinta-feira (8/3) o relatório da “Situação dos Alimentos e Prospectos de Colheitas”. O documento apresenta dados sobre a produção global de trigo que, em 2012, será a segunda maior já registrada, com 690 milhões de toneladas. Houve um decréscimo da produção em 1,4% em relação a 2011, mas ainda assim o total da produção foi muito maior do que nos últimos cinco anos.
O relatório, porém, apresenta riscos para a segurança alimentar de diversas regiões devido às condições de tempo adversas. Na África Ocidental, elas causaram uma baixa colheita de cereais e afetou as pastagens em grande parte do Sahel, o que, combinando-se com os altos preços alimentares e conflitos civis, levou à desnutrição no Chade, Níger, Mauritânia, Mali e Burkina Faso. Na África Oriental, secas deterioraram a situação alimentar de áreas pastoris, preocupando a FAO particularmente quanto à situação do Sudão e Sudão do Sul.
Na América Central, a seca afetou o México, mas o resto da região apresenta perspectivas positivas para a colheita do milho. Na América do Sul, um período de seca afetou Brasil e Argentina, mas uma produção acima de média é esperada devido ao aumento das plantações. Na Ásia, as perspectivas para as colheitas de trigo em 2012 são geralmente favoráveis. Prevê-se que a produção chegue ao nível recorde do ano passado devido, em particular aos bons resultados na Índia.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, publicado em separado hoje, subiu 1% ou 2,4 pontos entre janeiro e fevereiro. O Índice tinha subido quase 2% em janeiro – o primeiro aumento em seis meses. O aumento foi motivado sobretudo pelos preços mais elevados do açúcar, óleos e cereais, enquanto os preços dos laticínios caíram ligeiramente depois de um aumento acentuado em janeiro. O índice encontra-se 10% abaixo do pico de fevereiro de 2011.
O aumento das importações devido ao enfraquecimento do dólar e à queda nos custos de transporte também têm caracterizado os mercados mundiais desde o início de 2012. Isto, combinado com condições climáticas desfavoráveis nos principais países exportadores, reforçou os preços mundiais nas últimas semanas.