Programa do Ceará oferece capacitação profissional no ensino médio para combater evasão escolar

Programa “Aprendiz na Escola”, da secretaria estadual de Educação do Ceará, oferece capacitação profissional para estudantes do ensino médio. Iniciativa já formou 2 mil alunos de nove municípios. Mais de mil conseguiram se inserir no mercado de trabalho como aprendizes. Projeto foi apresentado como modelo em encontro de 27 países da América Latina e Caribe na capital do estado.

Jovem fala sobre sua experiência no programa Aprendiz na Escola. Foto: OIT

Jovem fala sobre sua experiência no programa Aprendiz na Escola. Foto: OIT

Em passagem pelo Brasil para a reunião anual da Iniciativa Regional América Latina e Caribe Livres de Trabalho Infantil, mais de 80 representantes de 27 países conheceram o programa “Aprendiz na Escola”, da Secretaria estadual de Educação do Ceará. A iniciativa oferece capacitação profissional para estudantes do ensino médio e já formou 2 mil alunos de nove municípios. Com o projeto, mais de mil conseguiram se inserir no mercado de trabalho.

O projeto foi apresentado às delegações latino-americanas e caribenhas como modelo capaz de prevenir a evasão escolar e garantir que adolescentes já em idade legal para trabalhar consigam empregos decentes.

O “Aprendiz na escola” é uma adaptação da Lei de Aprendizagem em vigor no Brasil para estender o serviço ao ambiente escolar, que assume o papel de instituição qualificadora ao oferecer, além de currículos tradicionais, algumas disciplinas específicas de cursos de capacitação escolhidos pelos alunos.

Sobre a reunião anual dos países, que aconteceu em Fortaleza, o diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Peter Poschen, destacou que o evento foi “uma grande oportunidade para que duas agendas que estão intimamente ligadas na luta contra a pobreza e na aposta por um desenvolvimento inclusivo – a agenda dos setores de educação e de trabalho – encontrem um espaço de intercâmbio, cooperação Sul-Sul, coordenação e compromisso conjunto para cumprir seus objetivos”.

Para adaptar a formação dos estudantes, a secretaria de Educação do Ceará contou com o apoio do Instituto Aliança, do Instituto Unibanco e da Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura (UNESCO).

Os parceiros buscaram adequar o currículo às demandas atuais do mercado de trabalho local. Mudanças foram feitas de modo participativo, atendendo solicitações dos próprios alunos, que pediram uma ênfase maior na aprendizagem para o trabalho.

Para a OIT, o sucesso da experiência — que conseguiu reduzir a evasão escolar e oferecer competências importantes para a inserção dos jovens no mercado — reflete a urgência de abordagens intersetoriais para combater o trabalho infantil. Garantir que crianças e adolescentes concluam seus estudos é fundamental para promover o acesso a empregos decentes mais tarde em suas vidas, aponta a agência da ONU.

“Este programa permite tirar muitos jovens dessas situações de conflito que os rodeiam em suas famílias. Me parece fantástico poder ampliar isso em um país como a Colômbia, onde temos cidades com altos índices de violência e esta iniciativa poderia fazer com que os jovens se interessem pelos estudos, pois fortalece sua formação e fornece ferramentas para o futuro”, elogiou a representante da ANDI Colômbia, Juliana Manrique.

“Aqui se tem em conta o problema da juventude em relação à educação de nível médio. Fortaleza criou um lugar onde podem receber os estudantes que realmente não têm nenhuma possibilidade de continuar seus estudos, mostraram a estes jovens que eles podem fazer algo”, afirmou o diretor do Ensino Secundário do Haiti, Maxime Mesilas.

Globalmente, entre 20% e 30% dos adolescentes e jovens adultos completam a transição para o mercado do trabalho aos 15 anos de idade. No Brasil, o envolvimento em atividades de trabalho só é permitido antes dos 16 anos na modalidade aprendiz, tal como determinada pela lei.

A reunião anual dos 27 países integrantes da iniciativa regional da OIT aconteceu dos dias 28 de novembro a 2 de dezembro. Durante a visita ao Brasil, representantes dos Estados-membros também conheceram a companhia Grendene, que oferece cerca de mil vagas para aprendizes, especialmente para aqueles provenientes de comunidades vulneráveis localizadas próximas à empresa.