“Eu vejo uma transformação muito grande da nossa comunidade depois do Programa. Hoje se vive uma nova realidade no nosso bairro”, diz Terrinha, grafiteiro de 24 anos.

Paulo Henrique Mendes Terrinha, grafiteiro e participante de projetos sociais a favor da juventude. Foto: Acervo pessoal.
“Existe uma saída para os jovens. Existe uma escolha”. Esse é o lema de Paulo Henrique Mendes Terrinha, grafiteiro de 24 anos que mora próximo à Contagem (MG). Terrinha tem três irmãs e é filho de pastores. Atualmente faz faculdade de Serviço Social e participa de diversos projetos e coletivos em prol da juventude.
O grafiteiro já foi vítima de discriminação e comenta que alguns amigos também já passaram por essa situação. “Às vezes pelo fato da gente andar mais largado, com as roupas mais largadas, era sempre discriminado e mal visto. Quando eu estava de dread ainda mais, ia no shopping e aí os seguranças já começavam a chamar no rádio”, lembra.
Terrinha começou a participar de projetos sociais muito cedo. Aos 12 anos de idade, já atuava na igreja que os pais frequentavam e, com o tempo, começou a se engajar cada vez mais em trabalhos com jovens. Em 2007, começou a grafitar como hobbie e encontrou na arte uma ferramenta de trabalho e de mobilização.
“O grafite tem essa função social de transformar o espaço e o ambiente. Acredito que tudo influência. Se você está em um ambiente triste, isso vai te influenciar para você ficar triste e ser uma pessoa triste. Se você está em um espaço revitalizado, um espaço colorido, um espaço feliz, com certeza isso vai mudar a seu astral”, afirma.
Hoje, Terrinha trabalha como instrutor de grafite pela prefeitura de Contagem e também na ONG Terra Santa, onde desenvolve um projeto que transforma pallets em móveis, buscando dar uma nova utilidade para esse material que seria descartado no meio ambiente.
O grafiteiro destaca ainda que foi muito influenciado e inspirado pelo pai, Luís Paulo Terrinha, que atuou em causas sociais desde cedo. Além do pai, também destaca sua inspiração em Deus e a admiração que tem por Martin Luther King, por sua luta contra a discriminação.
Em 2012, a cidade de Contagem recebeu o Programa conjunto da ONU “Segurança com Cidadania: prevenindo a violência e fortalecendo a cidadania com foco em crianças, adolescentes e jovens em condições vulneráveis em comunidades brasileiras”. O Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) atuou como uma das agências-líderes de diversas atividades de promoção da redução da violência entre jovens da região por meio da prevenção.
Durante a implementação do Programa, foram realizados diversos treinamentos e oficinas, assim como a revitalização do antigo Buracão de São Mateus – espaço que era território do tráfico de drogas, mas que agora se tornou área de convivência e recreação. “Eu vejo uma transformação muito grande da nossa comunidade depois do Programa. Hoje se vive uma nova realidade no nosso bairro”, diz.
Terrinha também faz parte do Coletivo Na Tora, que utiliza esse espaço revitalizado pela ONU para fazer grafite, rima e dança. O grafiteiro destaca ainda que a revitalização do espaço ajudou na mudança da cultura local. “No nosso projeto mesmo muitos dos jovens em algum momento tiveram alguma participação no Programa da ONU. É uma turma diferente hoje, que passou a entender que precisa estudar, que precisa participar dos projetos e da movimentação”, comemora.
O que Terrinha acredita ser uma forma de proporcionar um futuro melhor e de transformação de sua comunidade está diretamente relacionado com a Estratégia Global do PNUD para os Jovens, que, entre outras coisas, busca atingir o fortalecimento da participação e do engajamento cívico juvenil.
Espaços revitalizados como o agora chamado Parque São Mateus contribuem para o estabelecimento de diálogos entre os jovens, promovendo um engajamento efetivo e inclusivo nos processos de decisões – locais, nacionais, regionais e até mesmo globais -, que são chaves no apoio de soluções para a desigualdade, violência e exclusão da juventude negra.
Sobre as suas perspectivas de futuro, Terrinha diz que pretende terminar a faculdade, se casar, e ressalta que espera poder ver o Coletivo crescendo e se tornando uma referência nesse trabalho de inclusão e apoio à juventude. “Quero ver os jovens ocupando os seus espaços, estudando e lutando por um futuro melhor.”
Dia Internacional da Juventude
Em 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 12 de agosto como o Dia Internacional da Juventude, com o objetivo de promover o debate e a sensibilização sobre temas relacionados à agenda da juventude.
No Brasil, em comemoração ao Dia Internacional da Juventude de 2014, o Grupo Assessor da ONU sobre Juventude realizou, no dia 12 de agosto, uma série de atividades na Casa da ONU, em Brasília. O tema foi Jovens Negros contra o Racismo e pela Paz e serviu de preparação para o lançamento de uma campanha nacional de sensibilização que está prevista para o fim de 2014, no âmbito da Década dos Afrodescendentes das Nações Unidas.