Programa da ONU divulgará versão em português de boletim quinzenal sobre população LGBTI

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) disponibilizará, a partir deste mês, versões em português do seu boletim quinzenal Olhar para a Igualdade, que aborda desafios e conquistas da população LGBTI. Publicação reúne notícias, pesquisas e fatos que ganharam destaque na mídia. Compilação, produzida desde 2014 pela iniciativa Equal Eyes com a ONU, explora temas como direitos humanos e legais, saúde e cultura.

Da direita para a esquerda, Toni Reis, Richard Burzynski e Flávio Brebis, com a equipe do UNAIDS Brasil. Foto: UNAIDS Brasil

Da direita para a esquerda, Toni Reis, Richard Burzynski e Flávio Brebis, com a equipe do UNAIDS Brasil. Foto: UNAIDS Brasil

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) disponibilizará, a partir deste mês, versões em português do seu boletim quinzenal Olhar para a Igualdade, que aborda desafios e conquistas da população LGBTI. Publicação reúne notícias, pesquisas e fatos que ganharam destaque na mídia. Compilação, produzida desde 2014 pela iniciativa Equal Eyes com a ONU, explora temas como direitos humanos e legais, saúde e cultura.

“A newsletter é uma maneira informativa de reunir a comunidade LGBTI e alcançar o maior número possível de pessoas, principalmente aquelas que lidam em seu cotidiano com a defesa dos princípios de zero discriminação e do acesso à saúde”, explica a diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard.

O escritório nacional do organismo ficará responsável pela tradução do boletim. O nome Olhar para a Igualdade foi adaptado do original em inglês, Equal Eyes.

“Ao traduzir esse conteúdo para o português, vamos facilitar a leitura e a busca por informação sobre esses temas no Brasil e em outros países de língua portuguesa, acrescentou a gestora. A agência das Nações Unidas difundirá a versão lusófona entre suas redes de parceiros.

Para o idealizador da publicação, o conselheiro sênior do UNAIDS em Genebra, Richard Burzynski, a compilação é uma ferramenta importante para que a sociedade civil, profissionais da saúde e da área de direitos e o próprio organismo da ONU possam ter um panorama global sobre as vivências de gays, lésbicas, bissexuais, pessoas trans e intersex. A newsletter é feita com informações cuidadosamente organizadas, colhidas de uma variedade de fontes públicas e privadas.

“É importante percebermos que alguns problemas e obstáculos são comuns a vários países, para não dizer, em alguns casos, ao mundo todo”, afirma Burzynski, que veio ao Brasil nesta semana para divulgar a tradução do Olhar para a Igualdade. O especialista começou seu trabalho como ativista de direitos LGBTI em 1985. Há quase uma década, ele atua na equipe do UNAIDS.

“A razão da existência do boletim Olhar para a Igualdade é exatamente a de mostrar em que ponto estamos e que impacto esses acontecimentos, obstáculos e conquistas, têm sobre a saúde e o bem-estar das pessoas.”

Lideranças brasileiras

Em visita a Brasília nos dias 17 e 18 de outubro, Burzynski teve a oportunidade de se encontrar com lideranças locais e convidá-las para apoiar os esforços de disseminação e construção do boletim. No escritório do UNAIDS, na capital federal, o especialista conheceu Flávio Brebis, coordenador de diversidade do governo do Distrito Federal, e o ativista Toni Reis, diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI e um dos fundadores, em 1992, do Grupo Dignidade, em Curitiba, onde atua até hoje.

“Esse é um mecanismo muito importante para nosso movimento num momento em que temos voltado nossa atenção cada vez mais à questão do HIV entre jovens, principalmente jovens LGBTI”, disse Reis durante a reunião. “O UNAIDS tem sido um parceiro muito importante porque, assim como nós, tem se empenhado em manter o diálogo com todos os lados em busca de soluções concretas.”

Para Brebis, esse acompanhamento dos acontecimentos ao redor do mundo será um importante instrumento para compreender em que contexto a situação do Brasil se insere. “No Brasil, temos ainda muita dificuldade, por exemplo, de quantificar a violência contra pessoas LGBTI. Ela é feita principalmente pelo noticiário”, explica. “Nesse sentido, quanto mais informações tivermos, melhor.”

Burzynski também visitou o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), do HIV/AIDS e das Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, onde conversou com gestores das áreas de cooperação internacional e prevenção.

“Neste trabalho conjunto com o escritório do UNAIDS no Brasil, temos recebido igualmente notícias e informações relevantes sobre o que está acontecendo no país e queremos usar essas histórias em nosso boletim quinzenal para mostrar ao mundo esse cenário. O objetivo é promover essa conexão para que possamos aprender uns com os outros”, concluiu o conselheiro da agência da ONU.