No Brasil, aniversário do PNUD, no último 24 de fevereiro, foi marcado em evento na Casa da ONU com a presença de representantes do governo, organizações internacionais, setor privado e sociedade civil. Secretário-geral da ONU gravou vídeo destacando trabalho da agência da ONU: “Por meio século, o PNUD tem estado na linha de frente das necessidades e aspirações humanas”.

Campanha promocional pelos 50 anos do PNUD. Imagem: PNUD Brasil
Representantes do governo, de organismos internacionais, do setor privado e da sociedade civil se reuniram na tarde desta quarta-feira (24) na Casa da ONU, em Brasília, em comemoração aos 50 anos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no mundo.
O coordenador-residente da ONU e representante-residente do PNUD no Brasil, Niky Fabiancic, deu início à cerimônia. Em discurso, Fabiancic lembrou que, em 1966, quando a organização foi fundada, uma em cada três pessoas no mundo vivia na pobreza. Hoje o número de pessoas no mundo em situação de pobreza diminuiu para cerca de uma pessoa em cada oito. “Entre 2000 e 2012, a pobreza extrema e a fome no Brasil foram reduzidas de 25,5% para 3,5%. E o PNUD Brasil tem muito orgulho de ter acompanhado e contribuído, nas últimas décadas, para a mudança desse cenário.”
O representante-residente também ressaltou o objetivo da Agenda 2030 em fortalecer as parcerias e a paz universal. “Confirmamos nosso compromisso em apoiar e construir economias e sociedades mais inclusivas e prósperas. O planeta pode sim ser protegido contra os piores efeitos da mudança global do clima e outras formas de degradação ambiental.”
Após a fala de Fabiancic, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, ressaltou a importância da consolidação da parceria entre governo e PNUD para a implementação de pautas relevantes para a sociedade. Ananias lembrou a relevância de assuntos como a criação de assentamentos, o apoio à pequena agricultura e o significado dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para preservação dos recursos naturais. “Vida longa ao PNUD e que a instituição continue sendo esse sinal de vida e esperança para todos”, saudou.

Representantes do governo, de organismos internacionais, do setor privado e da sociedade civil se reuniram em comemoração aos 50 anos do PNUD no mundo. Crédito: Isadora Lima/ PNUD Brasil
Também presente, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, ressaltou a saída do Brasil do mapa da fome. “A parceria com o PNUD foi fundamental para alcançarmos esse resultado. Poucos países aproveitaram tanto a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio como o Brasil. A agenda se tornou uma agenda dos municípios, de estados e uma referência para a sociedade civil”, disse.
Tereza Campello falou da parceria com o PNUD e da necessidade de novas métricas relativas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que revelem que mundo de fato a sociedade quer para superar problemas sociais. “Precisamos de uma agenda social como estratégia para de fato termos um mundo sustentável”, finalizou.
O ministro do Esporte, George Hilton, reconheceu a importância do PNUD e lembrou a parceria entre sua pasta e o PNUD durante os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. “Quero aqui desejar todo o sucesso na continuidade dos projetos da entidade. Tivemos uma experiência sensacional de parceria entre o Ministério do Esporte e o PNUD nos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, que aconteceu em Palmas. Todo o sucesso do evento se deve ao trabalho extremamente profissional do PNUD juntamente conosco e a prefeitura de Palmas. Creio que podemos firmar várias outras parcerias que certamente terão muito sucesso”, declarou.
Parte da história do desenvolvimento no Brasil
Responsável por apresentar um panorama geral da história do PNUD no Brasil, o ex-representante-residente do Programa, Eduardo Gutierrez, relatou o histórico dos trabalhos da agência no país. Gutierrez lembrou que o PNUD esteve presente em vários momentos do desenvolvimento da sociedade brasileira. O avanço da agropecuária, das plantações de soja e de trigo, a certificação do modelo de avião Bandeirante, símbolo da Embraer, a criação da Agência Brasileira de Cooperação e a construção de um diálogo entre sociedade civil e governo pós-ditadura são alguns dos exemplos lembrados pelo ex-representante-residente da atuação do PNUD em território nacional. “São histórias pontuais, mas que mostram o tremendo valor do trabalho do PNUD no impacto da sociedade brasileira”, disse.
De acordo com Gutierrez, o voluntariado também foi fomentado no Brasil pelo PNUD, citando três exemplos: os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, quando a agência convocou e treinou grupos de voluntários, a Rio+20 e a coordenação de 50 mil voluntários que participarão das Olimpíadas que começam em breve. “O PNUD é um grande agente transformador. Ajuda a sociedade a se transformar e se transforma conforme os acontecimentos.”
Após um breve intervalo, a representante-residente-assistente do PNUD Brasil, Maristela Baioni, mediou debate entre o representante da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Marcello Pio, e o representante da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew.
Em seu discurso, Grajew falou sobre a resistência encontrada pela sociedade civil em tentativas de sugerir adaptações para a indústria e o empresariado. “É sempre difícil convencer empresários a mudar. Mudanças necessitam de muito resguardo para quem as promove, para minimizar riscos. Neste aspecto, o PNUD nos ajuda a por promover transformações sociais. É sem dúvida um grande parceiro para sensibilizar o setor público e privado.”
Pio concordou que convencer empresários de que determinada mudança é melhor e tirá-los da zona de conforto com valores mais tradicionais é muito difícil. “Sabemos que não é um processo fácil. É um trabalho árduo que o PNUD faz muito bem”. O representante da CNI citou a Agenda 2030 e a importância da educação e capacitação de profissionais para a indústria. “Nosso foco é o aumento da produtividade, mas principalmente o bem-estar e a segurança do trabalhador”, disse.
Em seu discurso, o diretor de país do PNUD Brasil, Didier Trebucq, declarou que nos próximos anos a organização dará mais atenção a áreas vulneráveis do país e que buscará promover alianças estratégicas entre entes nacionais e instituições público-privadas. Outro foco é o desenvolvimento de programas conjuntos com outras agências das Nações Unidas.
Segundo Trebucq, para o PNUD é fundamental apoiar os esforços do Brasil para promover a Agenda 2030. “Estamos determinados a tomar medidas transformadoras que possam contribuir para que o Brasil trilhe um caminho sustentável e resiliente, centrado no desenvolvimento humano”.
Além das autoridades citadas, também compareceram o subsecretário-geral de Cooperação, Cultura e Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores, Sergio Luiz Canaes; a primeira-dama do Governo do Distrito Federal, Márcia Rollemberg; e, representando o ministério do Esporte, além do ministro, o secretário executivo, Marcos Jorge, e o secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Rogério Hamam.
Secretário-geral da ONU: ‘Por meio século, o PNUD tem estado na linha de frente das necessidades e aspirações humanas’
Em uma mensagem em vídeo para um encontro ministerial que marcou o 50º aniversário do PNUD, em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou que o PNUD tem estado na linha de frente das necessidades e aspirações humanas.
“Com sua presença global e alcance programático, o PNUD tem contribuído para combater a pobreza e reconstruir países em crise”, disse Ban, lembrando sua atuação “vigorosa” junto a governos, sociedade civil e setor privado para construir instituições eficientes e sociedades inclusivas.
“Com forte comprometimento aos membros mais vulneráveis da sociedade, o PNUD tem buscado empoderar pessoas, especialmente mulheres e meninas. O PNUD também desempenha o papel-chave de coordenar o sistema de desenvolvimento das Nações Unidas. Esse papel torna-se ainda mais importante ao apoiarmos os esforços nacionais para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, lembrou.
“No momento em que voltamos os olhos para o cumprimento da grande promessa da Agenda 20130, agradeço à família PNUD, do passado e do presente, por elevar os padrões de vida e melhorar o bem-estar humano em todo o mundo”, acrescentou Ban Ki-moon. Confira a mensagem em vídeo, em português, abaixo: