Programas de transferência de renda podem aumentar o risco de rejeição profissional para as mães, diz relatório da OIT

No entanto, programas como “Bolsa Família” (Brasil) e “Progresa” (México) reduziram desigualdades de gênero nas matrículas escolares, melhorando empregabilidade.

Relatório da OIT analisa situação mundial trabalhista das mulheres.O relatório “Tendências Mundiais de Emprego das Mulheres 2012“, lançado hoje (11) e produzido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), afirmou que iniciativas como o programa brasileiro de combate à pobreza “Bolsa Família” podem aumentar o risco de rejeição profissional para as mães.

O programa realiza transferências de dinheiro para famílias mais pobres, sob a condição de que os membros da família exerçam trabalhos comunitários, como limpar escolas e clínicas e realizar os exames de saúde das crianças. Por isso, o Bolsa Família reforçou os estereótipos de gênero e dificultou que mulheres pudessem manter vários compromissos, tendo maior rejeição no mercado de trabalho, afirma o relatório. O documento cita ainda o caso do programa mexicano “Progresa/Oportunidades”, similar ao brasileiro.

No entanto, o estudo elogiou aspectos do Bolsa Família e do Progresa, como a melhoria do bem-estar doméstico, a melhoria para o nível educacional e a redução nas desigualdades de gênero para matrícula escolar, beneficiando a empregabilidade das mulheres. O relatório também observou que, após a crise da dívida brasileira, durante os anos 70 e 80, o crescimento da participação feminina no mercado laboral foi mais absorvido pelo setor informal da economia.

Desigualdade de gênero piora após crise de 2008

O documento analisa as desigualdades de gênero em matéria de desemprego, emprego, participação na força de trabalho, vulnerabilidade e segregação setorial e profissional. Em termos globais, o estudo ressalta que as taxas de desemprego das mulheres são mais altas do que as dos homens em escala mundial e não se preveem melhoras nos próximos anos.

Em nível mundial, antes da crise, as diferenças entre homens e mulheres em termos de desemprego e da relação emprego-população haviam atenuado. A crise atual (2008-2012) reverteu esta tendência nas regiões mais afetadas. Nas economias avançadas, a recessão afetou mais os homens dos setores dependentes do comércio do que mulheres empregadas na saúde e educação. Nos países em desenvolvimento, as mulheres foram mais afetadas no setor do comércio.

De 2002 a 2007, a taxa de desemprego feminina se situou em 5,8%, comparada com 5,3% para os homens, afirmou o documento. A crise aumentou esta disparidade em 0,5 a 0,7 pontos percentuais e acabou com 13 milhões de empregos para as mulheres.  O indicador de segregação por setores econômicos mostra que as mulheres estão mais limitadas em sua escolha de emprego em todos os setores.

O relatório apontou  formas de combate às desigualdades de gênero no trabalho, como proteção social, investimentos em capacitação e educação e políticas que facilitem o acesso ao emprego e reduzam as disparidades. “As políticas destinadas a reduzir as disparidades de gênero podem melhorar significativamente o crescimento econômico e os níveis de vida. Nos países em desenvolvimento podem contribuir de maneira considerável com a redução da pobreza”, afirmou o Diretor Executivo para Emprego da OIT, José Manuel Salazar-Xirinachs,