Progressos na economia e na segurança são indispensáveis para Afeganistão, relata enviado da ONU

Representante atualizou Conselho de Segurança sobre a situação no país e disse parecer “improvável” o estabelecimento de um processo de paz em curto prazo. Fatores transitam entre problemas econômicos e de segurança, e a recente morte de líder talibã.

Distribuição de ajuda aos deslocados na província de Khost, Afeganistão. Foto: ACNUR

Distribuição de ajuda aos deslocados na província de Khost, Afeganistão. Foto: ACNUR

O representante especial da ONU para o Afeganistão, Nicholas Haysom, apresentou ao Conselho de Segurança, no último dia 21, sua última atualização sobre a situação no país asiático. Ele afirmou que o progresso na economia e a melhora na segurança são indispensáveis para que os afegãos tenham confiança no governo.

Ao falar a respeito da segurança, Haysom disse que houve um aprendizado por parte das forças de segurança afegãs a partir das dinâmicas e desenvolvimentos do ano passado.

O representante enfatizou que, embora enfrentem desafios em várias áreas, as forças de segurança estão conseguindo manter o terreno dominado. O que o preocupa profundamente, disse, é a violência que impacta a população civil.

“Não houve nenhuma pausa durante o Ramadã, período no qual houve alguns relatos de brutalidades impressionantes, incluindo ataques a fiéis”, disse ele.

Haysom listou uma série de ataques que resultaram na morte de dezenas de civis e deixaram outras dezenas de feridos, incluindo um membro de um conselho provincial.

“Os níveis de baixas civis e deslocamentos relacionados com o conflito continuam a ser elevados. Estou especialmente preocupado com a tendência de ataques dirigidos contra civis que trabalham no setor judicial, e contra jornalistas”, disse Haysom.

O representante especial ainda afirmou que existe o risco de que o conflito no Afeganistão possa entrar em uma nova fase, prevendo atos de retaliação e vingança, além de uma escalada da violência no país.

Ele observou ainda que houve progressos na arrecadação de receitas e no desenvolvimento de planos de médio prazo pensados para a reforma econômica. O enviado da ONU elogiou a criação, pelo presidente Ghani, do Alto Conselho de Governança, Justiça e Anticorrupção, entre outras iniciativas, como um passo positivo no sentido de demonstrar resultados na vida diária dos afegãos.

Quanto ao estabelecimento de um processo viável de paz, o enviado da ONU disse que “parece improvável” em curto prazo, devido ao fracasso, até agora, de um grupo de coordenação sobre o tema e a recente morte do líder do Talibã, Akhtar Mohammad Mansour.

“Acreditamos, no entanto, que existem elementos dentro do movimento Talibã que estão questionando se podem ganhar militarmente, pelo menos em curto prazo, e se perguntando se um objetivo puramente militar é desejável”, disse Haysom, salientando que a paz não é um “luxo”, mas uma necessidade, sem a qual o Afeganistão não é sustentável.