Projeto apoiado por agência da ONU capacita refugiados para empreender no Brasil

A primeira palestra de capacitação em empreendedorismo para refugiados e solicitantes de refúgio ocorreu na terça-feira (26) em São Paulo. Batizado de Refugiado Empreendedor, o projeto é fruto de uma parceria entre o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), do Ministério da Justiça, e o Sebrae, tendo contado com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Refugiados e migrantes participam de evento em São Paulo para aprender técnicas de empreendedorismo. Foto: ACNUR.

Refugiados e migrantes participam de outro workshop ocorrido no fim de março em São Paulo e organizado pela BIBLIASPA sobre técnicas de empreendedorismo. Foto: ACNUR.

A primeira palestra de capacitação em empreendedorismo para refugiados e solicitantes de refúgio ocorreu na terça-feira (26) em São Paulo. Batizado de Refugiado Empreendedor, o projeto é fruto de uma parceria firmada no início do mês entre o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), do Ministério da Justiça, e o Sebrae.

O objetivo é capacitar imigrantes que chegaram ao Brasil após sofrer perseguições em seus países por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social e opinião política, ou que deixaram seus lares por conta de violações de direitos humanos, em especial aquelas decorrentes de guerras e conflitos armados.

“Além da questão humanitária, o fluxo migratório é um importante vetor de desenvolvimento social e econômico. Os refugiados são naturalmente empreendedores e podem ajudar a gerar novos negócios e empregos, além de oferecer ao país intercâmbio cultural, científico, tecnológico e laboral”, explica o presidente do CONARE, Beto Vasconcelos.

“O empreendedorismo é uma grande alternativa para os refugiados retomarem parte de suas vidas deixadas para trás”, afirma o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.

Após a palestra inaugural, os refugiados que tiverem interesse em continuar no projeto poderão participar de cursos gratuitos à distância, que correspondem à primeira etapa.

A capacitação online deve ser finalizada até o dia 21 de maio e é pré-requisito para a segunda etapa, composta por cursos presenciais.  A terceira e quarta etapa serão voltadas para a formalização dos empreendimentos desse público e para a possível obtenção de crédito empresarial.

Fluxo de refugiados

De acordo com o CONARE, existem no Brasil 8,7 mil refugiados reconhecidos e mais 20 mil solicitantes de refúgio.

No total, são mais de 79 nacionalidades, sendo a maioria sírios, angolanos, colombianos, congoleses e libaneses. Para participar do projeto Refugiado Empreendedor, os refugiados devem falar português básico, estar no Brasil há pelo menos um ano e possuir CPF.

Para chegar até os refugiados, o Sebrae e o CONARE tiveram o apoio da Prefeitura de São Paulo,  oito organizações não governamentais e entidades, entre elas Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Instituto de Reintegração de Refugiado (ADUS), Associação de Assistência a Refugiados no Brasil (OASIS),  Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul – Países Árabes (BIBLIASPA), Caritas Arquidiocesana de São Paulo, Eu Conheço meus Direitos – IKMR e Associação Nacional de Juristas Evangélicos e Missão Paz  (Anajure).