Projeto da FAO no Mali elimina quase totalmente uso de pesticidas tóxicos em região do país

Iniciativa em escolas do campo no Mali, que treina fazendeiros em métodos alternativos de controle de pragas, já capacitou mais de 20 mil produtores de algodão, principal produto exportado pelo país.

Agricultora no Mali. Foto: FAO

Agricultora no Mali. Foto: FAO

Escolas do campo, que treinam fazendeiros em métodos alternativos de controle de pragas, conseguiram eliminar quase que por completo o uso de pesticidas tóxicos por uma comunidade de produtores de algodão no Mali, revela um novo estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) publicado na segunda-feira (17) pela Royal Society.

Treinar fazendeiros em métodos alternativos de controle de pragas – biopesticidas como o extrato de nim – foi provado ser três vezes mais rentável do que a compra e o uso de pesticidas sintéticos, segundo a análise da FAO.

Ao deixar de aplicar mais de 47 mil litros de pesticidas tóxicos, os fazendeiros de uma das áreas onde o estudo foi realizado por oito anos, Bla, economizaram cerca de meio milhão de dólares.

O uso de pesticidas em Bla caiu 92% em todas as fazendas de algodão, apesar de apenas 34% de todos os produtores da região participarem do programa. Em Bougouni, onde o treinamento ainda não havia sido iniciado, não houve alteração no uso de pesticidas durante o período do estudo.

Até agora, mais de 20 mil fazendeiros já passaram pelo projeto de escolas no campo no Mali, onde o algodão é responsável por 75% dos ganhos em exportação do país.

“Precisamos aprender com a experiência dos fazendeiros. Uma educação pragmática, baseada no campo e centrada no fazendeiro pode e deve desempenhar um papel fundamental em tornarmos a agricultura mais forte e mais sustentável”, afirmou o diretor-geral da agência da ONU, o brasileiro José Graziano da Silva.

Outros dois estudos relacionados ao projeto de escolas no campo da FAO e também publicados na segunda-feira pela Royal Society listam um alto número de pesticidas que oferecem grande risco para a saúde humana e a vida aquática e terrestre da região analisada da África Ocidental.