Próxima sessão do projeto “Cinemão – Veículo de Ocupação Tática da Cultura” será na comunidade do Batan, em Realengo. Iniciativa conta com apoio do Centro de Informação da ONU (UNIC Rio).
Próxima sessão do projeto “Cinemão – Veículo de Ocupação Tática da Cultura” será na comunidade do Batan, em Realengo. Iniciativa conta com apoio do Centro de Informação da ONU (UNIC Rio).

Projeto leva produções nacionais a comunidades do Rio. (Crédito: divulgação)
Imagine um carro aparelhado para exibição de filmes nacionais, equipado com um super projetor de imagem, telão, sistema de som, megafone, cadeiras e pipoqueira. Junte tudo isso a muita vontade de promover, difundir e estimular a cultura e o encontro social através do cinema brasileiro de uma forma prática, gratuita e eficiente.
O resultado é o projeto “Cinemão – Veículo de Ocupação Tática da Cultura”, que ocupará espaços públicos marcados pela violência e ausência de aparelhos culturais. A iniciativa conta com o apoio do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).
A próxima sessão será no dia 16 de março, às 19h, no Largo do Chuveirinho, na comunidade do Batan, em Realengo. O filme em cartaz será “5x Pacificação” – dos mesmos realizadores de “5X Favela” – que apresenta o processo de implantação de UPPs no Rio de Janeiro, visto sob diversos aspectos por jovens cineastas moradores de favelas.
Na sequência o Cinemão mediará um debate com a participação de integrantes da equipe do filme e da comunidade. Antes da sessão principal serão exibidos três curtas-metragens.
‘Cinemão versus Caveirão’: relação não é mera coincidência
Este projeto nasce em função da existência do Caveirão, segundo seus realizadores. “O Cinemão é a ‘antítese’ da máquina de guerra do Estado. Toda semelhança física entre os carros é simbólica. O que difere são os meios e fins”, afirmam os coordenadores do projeto, que usa o cinema como ferramenta de inclusão, visibilidade e protagonismo social de grupos marginalizados.
Cid César Augusto, diretor e idealizador do projeto, destaca a importância do Veículo de Ocupação Tática da Cultura enquanto política pública. “Pergunte ao morador da comunidade que tipo de carro preto ele quer na sua rua. Acreditamos que nossas armas são infinitamente mais poderosas. Nós apontamos para a sociedade outro modelo de ocupação territorial de espaços marcados pela violência”, revela Cid.
“É preciso mudar os paradigmas. Essa é nossa função nas comunidades. O Cinemão é uma política pública necessária no processo de pacificação”, completa.
Ele conta também que teve a ideia do projeto em novembro de 2010, depois da tomada do Complexo do Alemão. “É possível outro modelo de ocupação territorial. O cinema é minha ferramenta de trabalho. É desta forma que posso contribuir como cidadão. Acredito cegamente no poder transformador da cultura, uma arma mais poderosa que o fuzil. E o Cinemão é, em si, um ato político da sociedade e do cinema brasileiro” acrescentou Cid, que é cineasta, jornalista e produtor.
O projeto pretende promover ao longo do ano 288 sessões gratuitas de cinema, sempre nos fins de semana, seguidas de debate com os realizadores e a comunidade local. O Cinemão deve atingir mais de 150 mil pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos.
A partir de acordos com a Programadora Brasil e outros distribuidores nacionais, o projeto funcionará como uma ação divulgadora e democratizadora da produção nacional. Isso fará, segundo os coordenadores da iniciativa, com que o cinema brasileiro chegue a uma parcela da população com dificuldade de acesso a cultura, seja por razão financeira, de locomoção ou por barreiras culturais.
O projeto possui uma extensa lista de simpatizantes, como o cineasta Walter Salles, o apresentador Danilo Gentili (ex-CQC), os atores Bruno Gagliasso e Matheus Nachtergaele, entre outros.
O vídeo com declarações de diversas personalidades em apoio ao projeto pode ser acesso abaixo:
O projeto tem patrocínio do Ministério da Cultura, Banco Itaú e Cirúrgica Fernandes e apoio da Epson, do UNIC Rio e da UPP Social (vinculada ao Instituto Pereira Passos). A iniciativa está ainda em busca de patrocinadores, já que apenas 25% foi captado em relação ao que foi aprovado pela Lei Rouanet.
A Carioca Filmes e Maranduva Filmes são as produtoras responsáveis.
Acesse todos os vídeos sobre o Cinemão clicando aqui.