Publicação do ACNUR e Universidade Federal do Paraná discute acolhimento de refugiados no Brasil

Livro “Refúgio e Hospitalidade” discute desafios à integração de refugiados, como aprendizado da língua e conhecimento dos direitos e deveres no país de acolhida. Publicação será disponibilizada online pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Lançamento do livro "Refúgio e Hospitalidade" contou com a participação do representante do ACNUR no Brasil, Agni Castro-Pita (ao microfone). Foto: ACNUR / M. Bravos

Lançamento do livro “Refúgio e Hospitalidade” contou com a participação do representante do ACNUR no Brasil, Agni Castro-Pita (ao microfone). Foto: ACNUR / M. Bravos

Em maio (18), a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) lançaram o livro “Refúgio e Hospitalidade” em evento que reuniu em Curitiba representantes da academia e da sociedade civil, refugiados, portadores de visto humanitário e organizações de assistência.

A publicação propõe reflexões sobre a delicada situação de indivíduos que foram forçados a abandonar seus países e fugir para o Brasil. Organizada com contribuições de juristas, cientistas sociais e linguistas, a obra destaca caminhos de atuação para garantir o acolhimento de refugiados e ressalta que a integração dessa população passa pelo conhecimento de direitos e deveres no novo país e o aprendizado da língua.

“Há nessa população pessoas como vocês (estudantes universitários), mas sem a mesma perspectiva de futuro, movendo-se para buscarem um espaço de liberdade para reconstruir suas vidas”, afirmou o representante do ACNUR no Brasil, Agni Castro-Pita durante o lançamento do livro na UFPR.

É o caso dos angolanos Francis Aguiar, Yolanda Muachambi – ambos com 24 anos – e Atílio Botelho, de 21 anos. Eles saíram de Luanda para salvar suas vidas, uma vez que seu país ainda sofre as consequências da guerra civil de 1975 a 2002.

Yolanda está no Brasil há três anos, enquanto Atílio e Francis, há dois. Eles almejam concluir seus estudos aqui, na área de logística e economia para, então, abrir um negócio próprio. A jovem pretende voltar para Angola e implementar melhorias no país, enquanto os rapazes pensam em se estabelecer no Brasil.

Para os três, uma iniciativa como a publicação do livro é bastante positiva. “O refugiado quando chega aqui, ele está perdido, sem saber o que fazer ou para onde ir. Uma ação como essa incentiva as pessoas a abrirem portas para nós”, explicou Francis.

O professor e coordenador do Projeto Hospitalidades da UFPR, José Gediel, destacou que a obra “deve ser vista como um instrumento de trabalho, servindo para as diversas frentes de atuação nesse tema”.

É também desejo dos organizadores que o livro chegue à sociedade civil, permitindo aos cidadãos perceberem a presença de refugiados e demais estrangeiros no seu dia a dia. Segundo Godoy, “uma resposta de hospitalidade aos refugiados significa que aqueles que estão aqui possam se sentir daqui”.

O vice-reitor da UFPR, Rogério Andrade Mulinari, ressaltou que refugiados e portadores de visto humanitário merecem cidadania plena. “A inserção de refugiados no tecido social brasileiro permitirá autonomia para eles e um país melhor para todos”, enfatizou.

Já a professora Cristiane Sbalquiero — que lidera pesquisas no âmbito da inclusão de migrantes no mercado de trabalho — disse que não há como se falar em acolhimento sem falar de empregos. “O ser humano constitui suas subjetividades em torno do trabalho. Temos a missão de tutelar os direitos sociais nesse âmbito”, alertou.

A publicação “Refúgio e Hospitalidade” será disponibilizada para as bibliotecas de universidades federais e também em versão online na página do ACNUR.

O livro é vinculado à Cátedra Sérgio Vieira de Mello – iniciativa implementada pelo ACNUR no Brasil e que conta com a participação de diversas instituições de ensino superior.

Por Michele Bravos, de Curitiba.