Quase 20% das pessoas usadas em ataques suicidas pelo Boko Haram são crianças, alerta ONU

Entre janeiro de 2014 e fevereiro de 2016, Camarões, país mais atacado pelo grupo terrorista, registrou o maior número de ataques suicidas envolvendo crianças (21), seguido pela Nigéria (17) e Chade (2).

Refugiados nigerianos que tiveram deixar o país pela violência do Boko Haram, na vila de Guesseré, em Níger. Foto: IRIN/Anna Jefferys

Refugiados nigerianos que tiveram deixar o país pela violência do Boko Haram, na vila de Guesseré, em Níger. Foto: IRIN/Anna Jefferys

O número de crianças usadas pelo grupo nigeriano Boko Haram como terroristas suicidas aumentou em dez vezes em 2015, segundo a ONU, alertando que homens armados do grupo continuam realizando ataques contra alvos civis e militares, apesar das operações militares na região do Lago Chade.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 44 crianças foram envolvidas em atentados suicidas em 2015, em comparação a 4 no ano anterior. Mais de 75% dos menores são meninas, segundo informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Entre janeiro de 2014 e fevereiro de 2016, Camarões, país mais atacado pelo grupo terrorista, registrou o maior número de ataques suicidas envolvendo crianças (21), seguido pela Nigéria (17) e Chade (2).

Outro problema relatado pelo OCHA é em relação à insegurança alimentar dos necessitados. De acordo com um comunicado emitido pelo escritório, a segurança continua instável em muitas das áreas atingidas pelos confrontos da região, o que dificulta o acesso das pessoas à ajuda.

Cerca de 3 milhões de pessoas já estão em insegurança alimentar nas regiões afetadas pelos conflitos. A situação ainda pode se agravar nos próximos meses.

Além disso, OCHA estima que mais de 480 mil crianças em Borno e 242 mil menores em Yobe, ambos os estado no nordeste da Nigéria, estão sofrendo de desnutrição aguda global. Cerca de 73 mil menores de dois anos de idade dessas comunidades precisam receber com urgência alimentos nutritivos complementares especializados, bem como são recomendados suplementos alimentares e lactantes para cerca de 27 mil mulheres grávidas.

Sem intervenções humanitárias, estima-se que 67 mil crianças de seis a 59 meses com desnutrição aguda são suscetíveis de morrer nos estados de Borno e Yobe em 2016. Isso se traduz em 184 mortes todos os dias.