Em relatório sobre o papel do Mercosul no comércio exterior da América Latina e Caribe, a Comissão Econômica da ONU para a região (CEPAL) apontou neste mês (14) que 39% das exportações de bens manufaturados do Brasil têm por destino nações latino-americanas e caribenhas. Número é sintoma da importância da região para o país e vice-versa. Pesquisa também destaca participação dos seus companheiros de bloco — Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Em relatório sobre o papel do Mercosul no comércio exterior da América Latina e Caribe, a Comissão Econômica da ONU para a região (CEPAL) apontou neste mês (14) que 39% das exportações de bens manufaturados do Brasil têm por destino nações latino-americanas e caribenhas. Número é sintoma da importância da região para o país e vice-versa. Pesquisa também destaca participação dos seus companheiros de bloco — Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.
O Mercosul responde por cerca de metade das exportações intrarregionais da América Latina e Caribe. Quando avaliadas as importações entre países da região, a demanda do bloco representa mais de 40% das compras para os mercados domésticos.
Mas apesar da contribuição robusta do Mercosul para o comércio da região, a pesquisa revela que as trocas do bloco ocorrem principalmente entre seus países-membros. Quase 60% das exportações do grupo para nações da América Latina e Caribe são direcionadas a países do próprio Mercosul. No caso das importações, o índice é estimado em torno de 65%.
Atualmente, o volume do comércio intrarregional equivale a 16% do total de exportações e importações da América Latina e Caribe — índice visto pela CEPAL como bem abaixo de outras regiões do mundo. Se fossem excluídas da taxa as trocas entre países do Mercosul, o valor cairia para 12%.
Bens manufaturados
A CEPAL aponta ainda que o Mercosul incrementa o comércio intrarregional com mais produtos manufaturados. O bloco responde por 56% das exportações de manufaturas (não agropecuárias) que têm como destino outros países latino-americanos e caribenhos. O Mercosul também absorve 48% das importações manufaturadas.
Neste sentido, diz a comissão, os países latino-americanos e caribenhos constituem um mercado estratégico para as nações do Mercosul, que colocam na região um volume que varia de 39% (no caso do Brasil) até 78% (no caso do Paraguai) das suas exportações manufaturadas.
Segundo o relatório, os bens manufaturados representam 67% de todas as exportações do bloco para a região — o que contrasta com o peso desses produtos nas exportações extrarregionais, o qual não ultrapassa os 31%.
Na avaliação da CEPAL, o Mercosul é, depois do Mercado Comum Centro-americano, a associação de países mais integrada da região, em termos de importância do comércio dentro do bloco para a totalidade das exportações e importações. Contudo, a complementaridade produtiva entre os seus membros ainda é pequena. Conforme aponta o levantamento, ela está limitada a determinados setores e empresas e é mediada por corporações transnacionais com lógicas produtivas globais.
De acordo com a pesquisa, o contexto cada vez mais desafiador que os países enfrentam para melhorar a qualidade de sua inserção global assinala a necessidade de explorar novos esquemas de especialização complementar.
Participação da China
O relatório também aborda a intensificação do comércio de países do Mercosul com a China. No começo dos anos 2000, as importações de origem chinesa representavam 3,1% do total de importações do bloco. Hoje, o índice já alcança os 18,4%. O crescimento da participação do gigante asiático deslocou parte da produção local e das compras da própria região latino-americana e caribenha, em especial no setor manufatureiro.
Nesse mesmo período, as exportações do Mercosul para a China passaram de 2,4% do total de vendas ao exterior para 18,9% — crescimento associado às matérias-primas.
Apesar do avanço chinês e de outros países asiáticos desde o início do século, os fluxos comerciais entre países do bloco mantiveram tendência ascendente pelo menos até 2013, quando foram afetados pelo baixo dinamismo global e pelas recessões em alguns de seus países-membros.
A CEPAL afirma que as características do comércio dentro do bloco — mais diversificado e com maior grau de tecnologia do que com o resto do mundo — contribuíram para a priorização da pauta das exportações na América do Sul.
“Em momentos em que se discute a pertinência do Mercosul e dado o avanço das importações da China e seu impacto no interior do bloco, seria importante avaliar os efeitos de eventuais mudanças no marco regulatório, como a supressão da tarifa externa comum”, diz o relatório.
Em agosto de 2017, os quatro membros fundadores do Mercosul decidiram pela suspensão indefinida da Venezuela do bloco, o que significa que o pertencimento do país ao bloco continua vigente, mas sem os direitos e obrigações inerentes aos Estados-parte.