Quase metade dos 4,5 milhões de deslocados sírios está em Aleppo e Damasco Rural, afirma ONU

Violência está forçando pessoas a se deslocarem mais de uma vez. Agência das Nações Unidas negocia redução de burocracia para chegar a 6,8 milhões de necessitados.

Foto: Alimentos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) sendo entregues em Aleppo, Síria. Foto: OCHA / Gemma Connell

Suprimentos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) são entregues em Aleppo. Foto: OCHA/Gemma Connell

Sírios forçados pela violência em curso a deixar suas casas são comumente deslocados mais de uma vez e estão concentrados nas regiões de Aleppo e Damasco Rural. Segundo o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), dos 4,5 milhões de deslocados no país, 1,25 milhão estão em Aleppo e 705,2 mil em Damasco Rural.

Já são cerca de 6,8 milhões de pessoas em necessidade urgente de ajuda humanitária – quase metade crianças.

Em discurso para o Conselho de Segurança da ONU no mês passado, a subsecretária-geral da ONU para assuntos humanitários, Valerie Amos, disse que o OCHA e seus parceiros humanitários enfrentam uma longa lista de obstáculos para alcançar as famílias em necessidade na Síria, incluindo vistos atrasados por até dois meses, necessidade de solicitação de autorização para partir em comboio com três dias de antecedência, dezenas de estradas bloqueadas e a redução de 110 para 29 organizações não governamentais aprovadas para atender a população.

Apesar da burocracia e da insegurança, as agências continuam empenhadas. “De janeiro a abril, cerca de 764 mil pessoas foram alcançadas pelos comboios de ajuda liderados pela ONU”, disse o porta-voz do OCHA, Jens Laerke, na terça-feira (7). “Dos dez comboios que atravessaram linhas de combate, cinco chegaram a áreas controladas pela oposição, enquanto outros cinco foram para áreas contestadas”, acrescentou.

Cada comboio precisa de diversos níveis de autorização e o OCHA “continua trabalhando nessas questões” com o Governo sírio.

Desde o levante contra o presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, mais de 70 mil pessoas foram mortas no país. Os confrontos já forçaram mais de 1,4 milhão de sírios a buscar refúgio nos países vizinhos.