O prazo para rendição voluntária do FDLR — um dos grupos responsáveis pelo genocídio em Ruanda em 1994 — chegou à metade do prazo nesta quinta-feira (2) sem novas desmobilizações.

Apresentação de armas e munições ao comandante da força militar da MONUSCO, o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz. Foto: MONUSCO
O Conselho de Segurança da ONU reiterou na última sexta-feira (3) que a “neutralização rápida” do grupo armado Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR) é uma prioridade para trazer estabilidade e proteger os civis da República Democrática do Congo e da região dos Grandes Lagos.
Os quinze membros do Conselho observaram em um comunicado de imprensa que o dia 2 de outubro marca a metade do prazo de seis meses para a rendição voluntária do FDLR, como estabelecido pela Conferência Internacional Conjunta da Região dos Grandes Lagos (ICGLR) e da Comunidade de Desenvolvimento Africano (SADC) em uma reunião dos ministros da Defesa em 2 de julho deste ano.
No entanto, desde essa data não houve nenhuma “nova rendição voluntária de membros do FDLR e o grupo falhou em cumprir sua promessa pública de desmobilizar voluntariamente”, diz o comunicado.
Líderes e membros da FDLR estão entre os autores do genocídio de 1994 contra os Tutsi em Ruanda, nos quais Hutus e outros grupos opostos às mortes massivas também foram assassinados. O Conselho recordou que o FDLR se encontra sob sanção da ONU, mas mesmo assim continuou a promover e cometer assassinatos étnicos e outros crimes em Ruanda e na República Democrática do Congo.
O Conselho frisou que “somente um progresso substancial para a desmobilização total e o comprometimento do FDLR poderia justificar qualquer nova prorrogação de uma ação militar contra as FDLR”, explicando que avaliará o processo através do número de rendições e de armas operacionais entregues.
No entanto, reiterou seu chamado para que o governo da RDC, em coordenação com a Missão das Nações Unidas de Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO), empreenda ações militares contra os líderes e membros do FDLR que não participem do processo de desmobilização ou que continuem a cometer violações dos direitos humanos.