RD Congo: ONU faz apelo humanitário de 892 milhões de dólares para 2013

O Plano de Ação Humanitária ajudará a fornecer suprimentos essenciais, incluindo ajuda alimentar, abrigo, água e saneamento.

Leon, um refugiado de 22 anos de idade, ensina inglês e kinyarwanda para uma sala de aula cheia de crianças congolesas (da RDC) em Kigeme, no campo de refugiados em Ruanda. Ele era professor na província de Kivu do Norte, mas fugiu do recrutamento forçado após conflitos em abril de 2012. Foto: ACNUR/Frederic NOY

Agências da ONU e parceiros humanitários fizeram um chamado nesta quinta-feira (7) para a arrecadação de 892,6 milhões de dólares para ajudar milhões de pessoas afetadas pela insegurança alimentar, pelos conflitos e pelas doenças na República Democrática do Congo (RDC).

O Plano de Ação Humanitária 2013, que foi lançado na capital da RD Congo, Kinshasa, ajudará a fornecer suprimentos essenciais, incluindo ajuda alimentar, abrigo, água e saneamento necessários para prevenir doenças potencialmente fatais, como a cólera. Será possível ainda implementar programas de apoio de subsistência e ajudar as autoridades locais a reforçar o acesso das comunidades aos serviços sociais básicos, incluindo a educação. O documento foi publicado em dezembro passado.

“O Plano representa a esperança que as famílias afetadas têm em nós”, disse o Vice-Representante Especial para a operação de manutenção da paz da ONU no país, Moustapha Soumaré, durante o lançamento. “Em troca, prometemos fazer tudo o que pudermos para ajudá-las a satisfazer as suas necessidades humanitárias essenciais”.

Cerca de 6,4 milhões de pessoas na RDC sofrem com a fome e a subnutrição e precisam de ajuda. Estima-se que 2,7 milhões de pessoas foram deslocadas, mais da metade no Kivu do Norte e Kivu do Sul, no leste da RDC.

No ano passado, organizações de ajuda receberam 70% do apelo humanitário de 792 milhões de dólares, permitindo que os esforços alcancem mais de 3,6 milhões de pessoas com alimentos. Mais de 200 mil famílias receberam apoio agrícola e milhões de crianças foram tratadas de sarampo, malária, cólera e outras doenças. Cerca de 114 crianças em zonas de conflito foram capazes de continuar os estudos.

Apesar dos esforços, o conflito em andamento piorou a situação humanitária, especialmente no leste do país. Os combates entre as forças governamentais (FARDC) e rebeldes ao longo dos anos levaram ao deslocamento maciço em Kivu do Norte e do Sul.

Desde abril de 2012, mais de meio milhão de pessoas fugiram de suas aldeias devido a combates entre a FARDC e o grupo armado M23. Cerca de 60 mil pessoas foram para países vizinhos, como Uganda e Ruanda.

“As pessoas estão sofrendo e nós temos que encontrar os meios para ajudá-las. Nós não temos nenhuma razão para duvidar do apoio dos nossos doadores”, disse Soumaré. “Em 2013, vamos continuar a enfrentar as causas profundas da crise e iniciar os blocos de construção para encontrar soluções de longo prazo.”