Recursos necessários para combate à Aids em 2016 registram déficit de 30%, alerta UNAIDS

Déficit pode colocar em risco novos compromissos dos Estados-membros da ONU, que incluem a ampliação do fornecimento de medicamentos para pessoas vivendo com HIV. Meta é passar de 15 milhões de indivíduos sob tratamento em 2015 para 30 milhões até 2020.

Jovem vivendo com HIV recebe tratamento antirretroviral na Costa do Marfim. Foto: UNICEF / Olivier Asselin

Jovem vivendo com HIV recebe tratamento antirretroviral na Costa do Marfim. Foto: UNICEF / Olivier Asselin

Um déficit de 30% em 2016 entre as promessas de recursos para combater a Aids e o montante realmente necessário para a implementação plena de iniciativas contra a doença coloca em risco compromissos recém-assumidos pela comunidade internacional para conter o avanço da epidemia.

O alerta é da Junta de Coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), que se reuniu no início do mês (1) para discutir o futuro das ações da agência da ONU e questões orçamentárias envolvendo a epidemia. O encontro contou com a participação de representantes da sociedade civil, dos Estados-membros e de outros organismos internacionais.

O diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, chamou atenção para a nova declaração política adotada pelos Estados-membros da ONU em junho.

Entre os objetivos adotados pelos países, estão o oferecimento de terapia antirretroviral para 1,6 milhão de crianças até 2018 e a duplicação do número de pessoas — de 15 milhões em 2015 para 30 milhões — sob tratamento até 2020.

“O compromisso com o fim da AIDS até 2030 deve se basear no pleno respeito aos direitos humanos, incluindo o acesso a direitos e saúde sexual e reprodutiva de qualidade”, afirmou Sidibé.

Segundo o dirigente, as metas da nova declaração política representam um “grande desafio para governos e comunidades, mas cada esforço vale a pena para acabar com esse epidemia e prevenir 21 milhões de pessoas de adquirirem HIV e 11 milhões de morrerem por conta de causas relacionadas à Aids”.

Durante a reunião — onde o planejamento financeiro do organismo internacional para o período 2016-2021 foi revisado para melhor atender a demandas nacionais, regionais e global—,  os Estados Unidos anunciaram que pretendem estender seu acordo com o UNAIDS por mais cinco anos, ampliando sua colaboração financeira junto à agência da ONU.

Sidibé alertou ainda para os riscos enfrentados por populações vulneráveis em diferentes partes do mundo. Na Europa Oriental e na Ásia Central, usuários de drogas representam 51% das pessoas que adquirem HIV. Já na África Subsaariana, 85% das novas infecções pelo vírus ocorrem ainda por transmissão sexual.

Para o chefe do UNAIDS, a luta contra a epidemia exige o engajamento das próprias comunidades. “O envolvimento das pessoas vivendo com o HIV ou afetadas pela epidemia é essencial na implementação de uma resposta eficaz e totalmente financiada, enraizada nas comunidades. Este envolvimento também é uma garantia de forte interação entre prestadores de serviços e as pessoas mais afetadas pelo vírus.”

A Junta de Coordenação da agência da ONU também fez um apelo a governos para que invistam na capacitação da sociedade civil.

De acordo com o organismo deliberativo, não haverá fim da epidemia de Aids até 2030 sem que haja um investimento sustentável em respostas à doença que sejam lideradas pelos grupos de pessoas mais afetadas, como trabalhadores do sexo, homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas, indivíduos trans e pessoas privadas de liberdade.