Rede Brasil do Pacto Global reúne construtoras em SP para discutir ações anticorrupção

A Rede Brasil do Pacto Global da ONU reuniu representantes de 15 construtoras de diversos estados brasileiros no início de abril (9) em São Paulo para discutir ações anticorrupção e formas de identificar comportamentos ilícitos dentro das empresas para prevenir a ocorrência de novos casos.

O encontro foi uma das etapas do Projeto Ações Coletivas, que será concluído com o lançamento, durante o Fórum Pacto Global 2018, em maio, de uma publicação de prevenção e combate à corrupção no setor.

Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Felipe Abreu

Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Felipe Abreu

A Rede Brasil do Pacto Global da ONU reuniu representantes de 15 construtoras de diversos estados brasileiros no início de abril (9) em São Paulo para discutir ações anticorrupção e formas de identificar comportamentos ilícitos dentro das empresas para prevenir a ocorrência de novos casos.

O encontro foi uma das etapas do Projeto Ações Coletivas, que será concluído com o lançamento, durante o Fórum Pacto Global 2018, em maio, de uma publicação de prevenção e combate à corrupção no setor.

“É um setor bastante fragilizado neste momento, mas também fundamental para a continuidade do crescimento do país. É importante ter uma perspectiva positiva daquelas empresas que estão tentando transformar o cenário”, afirmou Reynaldo Goto, coordenador do Grupo Temático Anticorrupção da Rede Brasil do Pacto Global e diretor de compliance da Siemens.

O executivo ressaltou a importância de as próprias empresas serem protagonistas do processo de reflexão sobre esses desafios e na elaboração da cartilha final sobre o tema.

Durante o evento, os 23 participantes se dividiram em cinco grupos para discutir 13 casos fictícios, mas que podem ocorrer na rotina de qualquer construtora. Foram realizadas duas rodadas de conversa, para que cada executivo pudesse dar suas contribuições em quatro ou cinco situações diferentes.

Alguns exemplos citados foram: um agente público solicita ingressos para um grande evento esportivo no qual sua empresa tem camarote; um representante sindical exige emprego para pessoas conhecidas e promete, em troca, desencorajar uma greve; um amigo que trabalha na concorrência te chama para um café no dia em que sai uma licitação pública em que as duas companhias devem concorrer; um prefeito pede doações em dinheiro para uma ONG na cidade onde está sendo feita uma obra.

Os participantes, a maioria da área de compliance das empresas, discutiram como reduzir a probabilidade de a situação acontecer e como reagir caso o problema se instale. “Para fins de treinamento, mais efetivo do que filosofar teoricamente sobre o que é certo e errado é dar exemplos ilustrativos, que as pessoas percebam como problemáticas que aparecem na mesa delas. A intenção é avisar a pessoa que ela está entrando em uma armadilha se fizer aquilo”, explicou Goto.

Presente na reunião, Ligia Maura Costa, professora titular da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autora de diversos estudos internacionais sobre o assunto, elogiou a metodologia colaborativa do encontro. “Foi fantástico o diálogo entre as mesas, ver as pessoas se reunindo e falando de um tema tão difícil. Todo mundo aprendeu muito”, afirmou.

A professora disse acreditar que poderá usar a cartilha em sala de aula. “Sem dúvida, poderá ser utilizada. Falta material em língua portuguesa sobre esse tema”, disse ela, acrescentando que, no atual contexto brasileiro, “um evento dessa natureza reunindo as mais importantes construtoras do Brasil é fundamental”.

Participação ampliada

O projeto Ações Coletivas começou em outubro de 2016 e envolve também as redes locais do Pacto Global na Nigéria, no Japão e no Quênia. No Brasil, o documento final será lançado no dia 16 de maio, no Fórum Pacto Global, em São Paulo, e ficará disponível para consulta no site da Rede Brasil. A ideia é que o material sirva como uma ferramenta prática de treinamento e fomente a discussão sobre o tema nas empresas do setor.

Em uma etapa anterior, representantes de quatro grandes construtoras ajudaram a elaborar uma versão preliminar da cartilha. Na reunião do dia 9, a proposta foi ampliar o debate para mais empresas de tamanhos e estados diferentes. Além de construtoras com sede em São Paulo, havia companhias de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

Para Paula Oda, coordenadora de Projetos de Integridade do Instituto Ethos, parceiro da iniciativa, a diversidade de participantes é importante porque nem sempre uma solução que vale para uma grande empresa tem aplicação para as pequenas e médias. “Todo o setor sofreu problemas nos últimos tempos e está se transformando. É preciso trabalhar em conjunto para promover essa mudança. Esse é o princípio da ação coletiva”, afirmou.

Também fizeram parte do projeto Ações Coletivas dois workshops realizados em 2017: um no dia 21 de março, sobre como coibir ações corruptas, e outro em 13 de junho, com o título “Boas práticas e aprendizados em ações coletivas de combate à corrupção”.