Na fronteira de mil quilômetros que separa a Guatemala do México está El Ceibo, uma pequena comunidade onde, a cada dia, transitam muitos refugiados e migrantes. Organização é parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Andrés é um jovem que há oito anos oferece sua casa para migrantes e refugiados do Triângulo Norte da América Central. Foto: Tito Herrera
Em uma pequena tenda com paredes de madeira mal-acabada e teto laminado que deixa pouquíssima luz entrar vive Andrés, um jovem guatemalteco com um longo histórico de trabalho humanitário. Há oito anos ele coloca sua casa à disposição, que conta somente um quarto, para distribuir comida para as pessoas que deixaram seu país para salvar a própria vida.
Andrés trabalha como voluntário na Pastoral Social, um parceiro do ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, na casa dos migrantes de Santa Elena, na Guatemala. O local e seus voluntários fazem parte de uma rede nacional de albergues e centros de acolhida que fornecem informação, assistência humanitária básica e hospedagem.
“Levou um tempo para eu convencer as autoridades migratórias e a comunidade local que eu estava ajudando essas pessoas sem pedir nada em troca”, contou Andrés. O trabalho nem sempre é fácil e, em algumas ocasiões, grupos criminosos locais têm abordado sua casa, ameaçando-o e também sua família para que acabem com a assistência e passem a trabalhar como informante.
Andrés é mecânico e eletricista, mas ainda mantém uma tenda de comida e outros artigos de necessidade com a ajuda de sua esposa. Os recursos econômicos não são abundantes, mas sua generosidade e solidariedade com as pessoas que chegam desesperadas, com quase nada, é um exemplo único de humanidade.
Nos últimos dois anos, os arredores da fronteira de Ceibo se tornaram uma rota de passagem para os migrantes de ambos lados da fronteira.
“O fluxo migratório cresceu, é por isso que o ACNUR tem aumentado a presença no departamento de Petén, na Guatemala, com a abertura de um escritório em setembro do ano passado, o que fez com que o monitoramento da fronteira ficasse mais sistemático e regulamentado, melhorando assim a identificação de pessoas que necessitam de proteção internacional”, afirmou o representante do ACNUR na Guatemala, Enrique Valles.
Os esforços de Andrés têm servido de exemplo a outros voluntários da comunidade. “Somando os esforços locais, temos mais camas para hospedar famílias inteiras que estão deixando seus países de origem porque não podem estar tranquilos e carregam as feridas feitas pelos grupos criminosos”, diz André.
Em 2016, os três voluntários atenderam cerca de mil pessoas em suas próprias casas e também em uma capela da igreja da região. Deste número, 80 casos entraram com solicitação de refúgio graças à informação proporcionada pela rede de voluntários e pelo encaminhamento dessas pessoas aos diversos albergues ou ao Instituto Nacional de Migração do México.
Em resposta a esta grave situação humanitária, o ACNUR está apoiando a construção de um albergue em El Ceibo com capacidade de abrigar 16 pessoas, a ser monitorado pelos três voluntários e pela Pastoral Social.
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