Refugiada congolesa conclui ensino médio no RJ e sonha com curso de enfermagem

Mãe de duas crianças pequenas e refugiada no Brasil, a congolesa Maria Clara Kalala, de 48 anos, tenta reconstruir sua vida no Rio de Janeiro. Ao final de 2018, concluiu o ensino médio, uma exigência para ingressar no curso técnico de enfermagem.

O relato é do Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas RJ, parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Maria Clara Kalala (à extrema esquerda), ao lado de uma professora e uma colega de turma, no dia em que recebeu o diploma de conclusão no Ensino Médio. Foto: Arquivo pessoal

Maria Clara Kalala (à extrema esquerda), ao lado de uma professora e uma colega de turma, no dia em que recebeu o diploma de conclusão no Ensino Médio. Foto: Arquivo pessoal

Maria Clara Kalala, da República Democrática do Congo, viu na educação um trampolim para vencer uma série de dificuldades. No final de 2018, a refugiada de 48 anos tornou-se a mais nova concluinte do ensino médio brasileiro. Agora, Maria Clara sonha em trabalhar com enfermagem, para ajudar quem tem problemas de saúde e dar uma vida melhor para as duas filhas pequenas. O relato é do Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas RJ, parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

A congolesa levava uma vida tranquila como mãe e dona de casa em seu país de origem, até seu marido começar a ser perseguido, ameaçado e preso. A família enxergou a fuga para o exterior como a única saída para preservar sua liberdade. Maria Clara chegou ao Brasil em janeiro de 2017, acompanhada apenas das filhas, então com quatro e cinco anos. A refugiada diz que foi o país que a escolheu.

Com apoio do PARES, Maria Clara foi matriculada no curso de português que a instituição tem em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Mais tarde, a refugiada revelou às assistentes sociais que gostaria de trabalhar com enfermagem. Como a formação técnica exigia o ensino médio completo e ela só havia terminado o fundamental, a congolesa foi encaminhada, em junho de 2017, à Educação de Jovens e Adultos (EJA), onde os estudantes podem ser diplomados em menos tempo do que no ensino regular.

Para a congolesa, estudar significava ter conhecimento, ser valorizada e aprender português, direitos e história do Brasil. Mas às dificuldades naturais com o idioma, somaram-se a ausência de familiares com quem deixar as crianças, além de contratempos financeiros.

Maria Clara decidiu buscar emprego e fez um curso de camareira no SENAC, que não demandava a formação escolar completa. Para economizar o dinheiro da passagem, chegava a andar quase dez quilômetros a pé. Quando a equipe de Integração da Cáritas RJ descobriu isso, custeou as despesas de transporte até o final do curso.

A congolesa não conseguiu emprego como camareira, mas contou com a ajuda de uma igreja para pagar o aluguel. A refugiada não desistiu dos estudos e, após um ano e meio, vestiu a beca para receber o cobiçado diploma do ensino médio, no final de 2018. Maria Clara fala com carinho do curso, mas já pensa nos próximos passos da sua caminhada.

“O curso foi legal, os professores foram muito prestativos. Agora quero fazer o curso técnico em enfermagem, que sempre foi meu sonho e vai me proporcionar ter um emprego seguro”, afirma.

Para a coordenadora do setor de Integração do PARES Cáritas RJ, Débora Alves, a força de vontade da congolesa é inspiradora.

“Ela não desistiu daquilo que mais desejava e continua correndo atrás. É uma história que dá motivação e esperança para outros refugiados que estão vivendo momentos difíceis porque mostra que, apesar de tudo, é possível ir em busca dos seus sonhos.”