Refugiado afegão vira dono de peixaria famosa na Noruega

Antes de escapar da guerra no Afeganistão, Asif nunca tinha visto o oceano. Em 2011, o refugiado se estabeleceu numa cidade no norte da Noruega. Em Mo i Rana, seu trabalho duro chamou a atenção da comunidade e do casal proprietário da Fiskebua, uma célebre peixaria local. Hoje, Asif e sua esposa Freshta lideram o negócio, que prospera como nunca.

Asif à frente de sua peixaria, a Fiskeboua, em Mo i Rana, na Noruega. Foto: ACNUR/Max-Michel Kolijn

Asif à frente de sua peixaria, a Fiskebua, em Mo i Rana, na Noruega. Foto: ACNUR/Max-Michel Kolijn

Quando ofereceram a Asif a chance de comprar uma peixaria famosa no norte da Noruega, ele achou que era uma piada. “Eu não sabia nada sobre peixes!”, ri. Antes de escapar da guerra no Afeganistão, Asif nunca tinha visto o oceano.

“Agora eu sou o dono da Fiskebua e todos os meus amigos acham divertido que um refugiado do Afeganistão tenha se tornado um especialista em peixes”.

Por terra, o afegão viajou longas distâncias pelo Irã e pela Turquia antes de cruzar o mar pela primeira vez, quando pegou um barco com destino à Grécia.

Quando chegou pela primeira vez à Noruega, em 2004, Asif foi morar num centro de recepção, onde residiu por cinco anos. Lá, ele estudou norueguês e esperou que seu pedido de refúgio fosse processado. O afegão conta que foi uma época difícil em sua vida, pois estava ansioso para sair e começar a trabalhar.

Em 2007, depois de receber o status de refugiado, Asif mudou-se para Mo i Rana, uma pequena cidade no norte da Noruega, ao sul do Círculo Polar Ártico. Seu primeiro trabalho foi na mercearia local.

“Quando comecei a trabalhar, meu empregador disse que não poderia me oferecer mais do que um trabalho de meio período, mas logo ele estava me dando muitas horas a mais e fiquei muito feliz com isso. Eu queria trabalhar muito para economizar dinheiro. Queria comprar uma casa e trazer minha esposa para a Noruega”, lembra.

“Eu não tinha medo de trabalhar por muitas horas, e os clientes gostavam de mim.”

Asif e a ex-dona da Fiskeboua, Inger-Lise Kristiansen. Foto: ACNUR/Max-Michel Kolijn

Asif e a ex-dona da Fiskebua, Inger-Lise Kristiansen. Foto: ACNUR/Max-Michel Kolijn

Merete Torsteinsen, diretora do Centro de Educação de Adultos Mo i Rana, trabalha com refugiados há anos. A região luta para encontrar pessoas que estejam dispostas a morar e trabalhar lá. O município fez um levantamento perguntando aos refugiados o que eles desejavam para ficar na cidade.

“A pesquisa encontrou três pontos principais de que as pessoas precisavam para se estabelecer: a oportunidade de trabalhar, a oportunidade de comprar uma casa e o acesso a bons jardins de infância e escolas para as crianças”, conta Merete.

“É fácil esquecer que essas pessoas são como nós, mas acho que você poderia fazer a mesma pesquisa com quase qualquer família no mundo e ter as mesmas respostas.”

Depois de trabalhar na mercearia local por seis anos, Asif conhecia muito bem os clientes e os moradores de Mo i Rana. Em 2011, ele comprou uma casa na cidade e conseguiu trazer sua esposa Freshta do Afeganistão, por meio do programa de reunião familiar.

Um dia, Rolf Skjærvold, proprietário da Fiskebua, a famosa peixaria vizinha, se aproximou de Asif e perguntou se ele estaria interessado em assumir o negócio. Rolf e sua sócia Inger-Lise Kristiansen decidiram que, depois de trabalhar tantos anos, queriam começar a pensar em se aposentar.

“No começo, eu achava que ele estava brincando. Eu não sabia nada sobre peixes!”, Asif diz rindo. “Mas então ele explicou que acreditava que eu seria uma boa opção para a loja. Então, minha esposa e eu decidimos que iríamos tentar comprá-la juntos.”

Asif e sua esposa Freshta atrás do balcão da peixaria Fiskeboua. Foto: ACNUR/Max-Michel Kolijn

Asif e sua esposa Freshta atrás do balcão da peixaria Fiskebua. Foto: ACNUR/Max-Michel Kolijn

Diversos interessados já tinham se aproximado de Rolf e Inger-Lise com ofertas para comprar a peixaria, mas nenhum deles parecia a pessoa certa para os proprietários. Nenhum, até que Asif apareceu.

“Ser dono de uma peixaria é um trabalho árduo que requer um tipo especial de dedicação, que Asif tem. Ele aprende rápido, é uma pessoa gentil e muito bom no atendimento ao cliente. Trabalhar com ele foi realmente um prazer”, afirma Inger-Lise Kristiansen.

Hoje, a peixaria Fiskebua está prosperando com Asif e sua esposa Freshta atrás do balcão. Os antigos donos lhes ensinaram tudo que sabiam sobre pescado e sobre a gestão de uma empresa na Noruega. As vendas aumentaram e os clientes locais estão mais felizes do que nunca.

Solbjorg Ulriksen, senhora idosa que morou a vida toda em Mo i Rana, é há anos uma freguesa regular na Fiskebua.

“Quando queremos comprar peixe, a gente vem aqui”, diz. “Asif é sempre gentil conosco e sabe muito sobre peixes. O fato de ele ser do Afeganistão o torna ainda mais especial. Ele aprendeu muito!”

Para o afegão, a “Noruega é um país que é muito gentil com os refugiados”.

“Para aqueles que desejam viver aqui, tenho três dicas: aprender a língua o mais rápido possível e não ter medo de usá-la, trabalhar duro e construir uma rede de bons amigos noruegueses. Isso é essencial se quisermos ter sucesso aqui”, conta.