Palestinos não têm permissão para trabalhar no Líbano e 90% deles estão desempregados no país. Sem dinheiro, eles não têm boas condições de moradia, educação e acesso à saúde.

A família de Hasna fugiu da Síria para o Líbano e agora divide um apartamento com outras quatro famílias. Foto: OCHA
O conflito na Síria fez com que cerca de 80 mil palestinos que viviam no país buscassem refúgio em 12 campos de refugiados no Líbano, aumentando a pressão sobre os recursos e as relações na comunidade.
Um dos maiores problemas enfrentados pelo palestinos no Líbano é o alto custo de vida no país. É o caso de Sleiman, que fugiu do campo de Yarmuk, na Síria, com a mulher e os seis filhos para o acampamento libanês El Buss.
Eles estão dividindo um apartamento de um quarto com o primo de Sleiman, Rashid, e sua esposa, que também fugiram da Síria após terem sua casa bombardeada e queimada. O apartamento custa 300 dólares por mês, o que, segundo Sleiman, “daria para comprar um palácio” em Damasco.
Ainda reclamando sobre o preço dos produtos no Líbano, ele relatou que o preço de um saco de pão no país é dez vezes mais caro do que na Síria.
Somado ao problema do alto custo de vida está o fato de que 90% dos palestinos no Líbano estão desempregados.
“O desemprego é muito comum aqui”, disse o palestino Mahmoud Ibrahim. “Na Síria, eu nunca me senti diferente e os palestinos tinham acesso aos mesmos empregos e serviços que os sírios. No Líbano, os palestinos não são autorizados a trabalhar. É muito difícil para nós nos adaptarmos”, acrescentou.
Mahmoud é filho de Hasna, que fugiu da Palestina durante a guerra de 1948, aos 10 anos de idade, e se mudou para o campo de Yarmuk, na Síria. Toda a família se mudou para o acampamento libanês El Buss no último inverno após muito relutarem sair do país.
Na Síria, ele coordenava uma oficina de ferro e empregava os três filhos. No Líbano, ele teve que fazer uma cirurgia de coração e ficar dois meses descansando. As organizações de ajuda no campo de El Buss não puderam cobrir os custos totais da operação e agora ele tem uma dívida que será difícil de pagar, já que os filhos estão desempregados.
Khawla Khalaf, um assistente social na organização comunitária Beit Atfal Assumud, ajuda os refugiados palestinos que chegam no Líbano.
Segundo ele, uma das prioridades é encaminhar os recém-chegados à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) para que eles regularizem sua situação no país.
A Ajuda Americana para os Refugiados do Oriente Médio (ANERA), com o apoio do Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF) – dirigido pelo Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) –, lançou um plano de ajuda emergencial para 1.900 famílias no sul do Líbano.
De acordo com Khalaf, que supervisionou o processo de distribuição do plano, cobrir as necessidades básicas não era o seu único propósito. “Ele também permitiu que famílias, assim como assistentes sociais, poupassem um pouco de energia para problemas a longo prazo, como a educação dos filhos ou o tratamento pós-conflito (trauma)”, disse.