Cerca de 30 refugiados assistiram de perto às provas do atletismo na manhã desta terça-feira (16). Além de ver o sul-sudanês Paulo Amotun Lokoro, público convidado testemunhou a passagem de Usain Bolt pelo Estádio João Havelange.
Cerca de 30 refugiados que moram no Rio de Janeiro foram nesta terça-feira (16) até o Estádio Olímpico João Havelange, também conhecido como “Engenhão”, para assistir à participação do velocista sul-sudanês Paulo Amotun Lokoro — um dos atletas da Equipe de Refugiados — na primeira fase dos 1.500 metros rasos. Refugiados puderam ver de perto o tricampeão olímpico jamaicano, Usain Bolt, competindo na primeira fase dos 200 metros rasos.
Lokoro não conseguiu se classificar — ele ficou em 11º entre os 12 concorrentes de sua bateria que participaram da prova e concluíram o trajeto; na classificação final, ficou em 39º —, mas nem por isso sua passagem pela arena foi menos especial.
Para nós, refugiados, isso está sendo
mais do que medalhas.
É inclusão, acolhimento, autoestima para nós.
“Nós fomos levados em consideração. É encorajador”, afirmou Madi Matondo, refugiada da República Democrática do Congo, sobre a presença de refugiados entre as delegações de atletas das Olimpíadas. “Que ele não se canse e possa sempre continuar (a competir) porque, um dia, ele ainda vai ter a oportunidade de ganhar”, acrescentou.
“Para nós, refugiados, isso está sendo mais do que medalhas. É inclusão, acolhimento, autoestima para nós. Eu não posso agradecer a oportunidade de estar aqui”, contou Mariama Bah, de Gâmbia. A jovem de 26 anos veio para o Brasil há dois anos. Em sua terra natal, ela havia sido forçada a se casar aos nove anos de idade.
“Para mim, foi maravilhoso estar aqui. Eu nunca imaginei que estaria tão perto do Usain Bolt”, disse o congolês Yves Norodom que mora no Rio há dois. “Eu digo para todos os refugiados para manterem a fé e nunca perderam sua felicidade. Apesar do preconceito que sofremos, um dia, nós vamos ser bem-sucedidos.”
Além de torcer pelo sul-sudanês, o grupo de estrangeiros apoiou atletas de seus países de origem, de nações do continente africano e principalmente, do Brasil.

Entre uma competiçção e outra, Alhaij Foday mostrava passos de samba que já aprendeu no Brasil. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade
“Eu gosto muito do povo brasileiro. Eles são muito cuidadosos e gentis”, disse Ebrahim, sírio de 21 anos que veio para o Brasil ao final de 2013, depois de passar oito meses no Líbano após fuga de Damasco.
Oriundo de Serra Leoa, Alhaji Foday, também estava entre o público de refugiados nas arquibancadas do Engenhão. “Eu quero mostrar para o Brasil que nós somos africanos, que nós estamos todos unidos”, afirmou. “Eu me sinto em casa (aqui).”
“Chegamos há nove meses. A vida no Brasil é boa, as pessoas são muito receptivas”, comentou o pintor colombiano Leonardo Ruge. “O mais importante é que o mundo saiba que nós, refugiados, somo pessoas que têm o seu valor e que podem enriquecer e apoiar a sociedade.”
Ruge veio para o Brasil com a esposa também artista colombiana Ninibe Forego e seus três filhos — Juan, de nove anos, Mateo, de 11, e Valéria, de 17.
“Refugiado não é um rótulo, é uma condição pela qual qualquer um pode passar a qualquer momento”, explicou Forego.
O grupo de refugiados foi convidado pela Rio 2016 para ver de perto as provas de atletismo após a repercussão da transmissão ao vivo das lutas dos congoleses Yolande Mabika e Popole Misenga na Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro — organização que representa a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) na capital fluminense.