Apenas um a cada oito estudantes refugiados sírios consegue se matricular no ensino superior no Líbano. Para enfrentar este desafio, o ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, mantém um programa de bolsa de estudos conhecido como DAFI. Jandikar, de 31 anos, é um dos beneficiados pelo programa e cursa mestrado em Ciências Políticas e Administrativas na Universidade Libanesa.

Jankidar, refugiado sírio de 31 anos, sonha em concluir estudos em Ciências Políticas Foto: Diego Ibarra Sánchez/ ACNUR
Apenas um em cada oito estudantes refugiados sírios consegue se matricular no ensino superior no Líbano. Uma das formas encontradas para superar este desafio, é o programa de bolsa de estudos Albert Einstein German Academic Refugee Initiative, conhecido como DAFI, mantido pelo ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados.
Jandikar, de 31 anos, é um dos beneficiados pelo programa. Ele sempre sonhou em estudar Ciências Políticas mas foi obrigado a abandonar a Universidade de Alepo logo depois de se matricular para trabalhar e sustentar a família. Em 2011, quando a guerra na Síria começou, Jandikar abandonou Kobane, no Líbano, onde já havia tentado obter o diploma universitário trabalhando em quatro lugares diferentes para pagar as mensalidades e as contas da casa.
“Trabalhei no conserto de elevadores, como porteiro, pintor e figurante em filmes e programas de TV na Síria e no Líbano”, conta. Em 2015, com o DAFI, Jandikar conseguiu uma bolsa de estudos completa para mestrado em Ciências Políticas e Administrativas na Universidade Libanesa.
Criado em 1992, o DAFI possibilita que mais de dois mil estudantes frequentem universidades em 41 países a cada ano. No Líbano, 315 estudantes estão sendo beneficiados com estas bolsas.
Atualmente, mais de 65 milhões de pessoas estão desabrigadas ao redor do mundo em decorrência de guerras e perseguições, incluindo 21 milhões de refugiados, sendo que mais da metade são crianças. De acordo com relatório do ACNUR, somente 50% delas estão matriculadas no ensino fundamental, 22% no ensino médio e apenas 1% no ensino superior.
De acordo com uma análise feita em 2016, no Líbano, cerca de um terço dos beneficiários do DAFI afirmaram não ter tempo para os estudos em função da pressão que sofrem em casa para trabalhar e sustentar suas famílias.
Além disso, a falta de documentos administrativos, como certificados de formação, é um dos principais obstáculos para o ingresso nas faculdades, como explica Agatha Abi Aad, Oficial Assistente de Educação do ACNUR.
“Uma medida adotada pelas universidades atualmente é emitir um documento, antes mesmo da matrícula oficial, que ajuda os estudantes a obter residência temporária, elemento essencial para o ingresso na universidade. Entretanto, a maioria dos refugiados sírios não têm condições de pagar a taxa anual de renovação, de 200 dólares,” afirma Abi Aad.
No mês passado, o governo do Líbano anunciou que refugiados sírios registrados com o ACNUR podem renovar suas licenças de moradia gratuitamente.
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