Refugiados somalis no Iêmen pensam em deixar país devido a conflitos, afirma ACNUR

Refugiados somalis relatam que não sabiam da situação no país da península árabe. Agência alerta para aumento de sequestros.

O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Andrej Mahecic, disse nesta sexta-feira (21/10) que o agravamento da situação da segurança no Iêmen está levando os quase 200 mil somalis que ali buscaram refúgio a considerarem voltar para seu país. “Muitos dos recém-chegados relatam ao ACNUR que eles não sabiam da situação no Iêmen e das condições que eles enfrentariam”, disse Mahecic em Genebra (Suíça).

O Iêmen esteve imerso em conflitos entre apoiadores e oponentes do Presidente Ali Abdullah Saleh durante todo o ano, enquanto a Somália – assolada por uma guerra que já dura duas décadas – enfrentou ainda uma epidemia de fome agravada pela seca, que já matou milhares de pessoas e coloca outras milhares em risco.

“Muitos deixam a Somália esperando poder seguir adiante em outros países do Golfo ou encontrar trabalho no próprio Iêmen, mas a piora na situação da segurança reduziu este movimento, e as oportunidades de trabalho no Iêmen estão diminuindo”, afirmou o porta-voz.

Mahecic alertou que a instabilidade no país da península árabe também está dando oportunidade para traficantes de pessoas em toda costa do Mar Vermelho, com diversos relatos de sequestros de migrantes e refugiados. “A piora na segurança está tornando nosso trabalho mais perigoso e complexo”, ressaltou, observando que a insegurança muitas vezes impede que as equipes humanitárias tenham acesso aos recém-chegados antes dos contrabandistas.