Refugiados transformam-se em jogadores no Maracanã com apoio do ACNUR e ONU Mulheres

O projeto desenvolvido em parceria com a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro tem o objetivo de promover a integração dos refugiados no Brasil e proporcionar um espaço de debate a respeito de temas como preconceito, acesso ao mercado de trabalho, igualdade de gênero e violência.

Maracanã abriu as portas para os refugiados do projeto “Futebol das Nações”, desenvolvido em parceria com a Caritas Rio e a ONG streetfootballworld Brasil. Foto: ACNUR/D. Félix

Maracanã abriu as portas para os refugiados do projeto “Futebol das Nações”, desenvolvido em parceria com a Caritas Rio e a ONG streetfootballworld Brasil. Foto: ACNUR/D. Félix

O Estádio do Maracanã abriu suas portas aos refugiados que vivem no Rio de Janeiro, vítimas de guerras e perseguições em seus países. O Maracanã oferece oficinas semanais que utilizam o futebol como instrumento de transformação social. No palco da final da Copa do Mundo de 2014, os refugiados não são torcedores ou meros visitantes, mas jogadores, protagonistas do “Futebol das Nações”.

O projeto é desenvolvido em parceria com a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro com o objetivo de promover a integração dessas pessoas no Brasil e proporcionar um espaço de debate a respeito de temas como preconceito, acesso ao mercado de trabalho, igualdade de gênero e violência. Nesta terça-feira (25), para celebrar o lançamento do projeto, os refugiados ganharam uniforme, puderam se trocar no vestiário oficial dos jogadores, entraram em campo enfileirados e ainda deram entrevistas para jornalistas à beira do gramado.

As duas partidas inaugurais do “Futebol das Nações” – que terá atividades até o final do ano –foram disputadas atrás de um dos gols e utilizaram a metodologia do Futebol3, desenvolvida pela ONG streetfootballworld Brasil. No Futebol3, as regras são construídas coletivamente antes de a bola rolar. Em seguida, ocorre a disputa em si e, em um terceiro momento, os jogadores se reúnem novamente para debater o que aconteceu em campo. É nessa discussão que se trabalham as diferenças, expectativas e sentimentos dos participantes. No Futebol3, os gols valem tanto quanto o respeito às regras determinadas, o fair play e o espírito de grupo.

O sírio Abdulrahman Hajjar, único muçulmano do grupo, sentia-se acolhido pelos outros refugiados. “Gosto de jogar com eles. Esta é uma chance única. Desde que a guerra na Síria começou, não há mais futebol. É melhor jogar bola aqui do que lutar uma guerra lá”, afirmou. O lançamento foi prestigiado pelo representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez, e pela consultora sênior da ONU Mulheres Brasil, Júnia Puglia.

Durante os jogos, os refugiados trabalharão com os temas da campanha “O Valente não é Violento”. Ramirez elogiou a iniciativa da ONU Mulheres em promover o debate da violência com os refugiados. “A aproximação da campanha “O Valente não é Violento” das atividades com refugiados no Maracanã é muito oportuna, pois os refugiados são a prova de que valentia não é sinônimo de violência. Eles passaram por situações difíceis e as enfrentaram com coragem para escapar da violência”, disse o representante do ACNUR.