Refúgios da violência na Síria são cada vez mais escassos, alerta agência da ONU

Agravamento da situação do país dificulta trabalho das agências humanitárias. Situação de refugiados palestinos e iraquianos no país também preocupa.

Família recém-chegada no acampamento da Jordânia Za'tari. Foto: ACNUR / A. Eurdolian O aprofundamento da violência e a piora das condições na Síria está tornando cada vez mais difícil para os deslocados internos encontrarem refúgio, alertou hoje (3) o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Além disso, a insegurança está prejudicando o alcance dos esforços humanitários necessários a mais de 2,5 milhões de pessoas.

“Os civis – homens comuns, mulheres e crianças – estão enfrentando o impacto da violência”, relatou o OCHA. “As pessoas foram mortas em suas casas ou nas ruas enquanto procuravam comida e outros itens essenciais ou tentavam retirar os feridos. Inúmeras casas, clínicas, hospitais e outras infraestruturas essenciais foram destruídas. Bloqueios e toques de recolher impostos sobre cidades como Homs, Hama, Idlib e Dera’a têm impedido as pessoas de se abastecer de alimentos, água e assistência médica. ”

“As agências da ONU e os parceiros humanitários relatam um aumento no número de postos de controle militares e de bloqueios e fechamentos de estradas, o que afeta a sua capacidade de alcançar aqueles que precisam de ajuda”, diz último boletim da agência humanitária.

Apesar desses obstáculos, cerca de 310 mil pessoas deslocadas internamente receberam itens essenciais em todo o país e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) enviou rações de alimentos a mais de 530 mil pessoas nas últimas três semanas, pretendendo chegar a 1,5 milhão de pessoas neste mês.

O OCHA também alertou que a pressão está aumentando para comunidades de refugiados na Síria, onde estão cerca de meio milhão de palestinos e um milhão de iraquianos. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) estima que 225 mil refugiados palestinos na Síria estejam diretamente afetados pelo conflito, e – enquanto muitos procuraram refúgio em escolas da UNRWA – mais de 4 mil fugiram para o Líbano e a Jordânia. Além disso, cerca de 30 mil iraquianos retornaram ao Iraque desde meados de julho.