Relator da ONU apela para que Sudão investigue uso de munição real contra manifestantes pacíficos

Especialista independente também pede formalização de acusações ou libertação imediata de 800 detidos durante protestos contra o corte de subsídios para combustíveis, iniciados em 23 de setembro, e fim da censura à imprensa. Presos estão sem acesso a advogados nem familiares. Ao menos 50 pessoas foram mortas pelas forças de segurança.

Especialista independente da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Sudão, Mashood Adebayo Baderin. Foto: ONU/Jean-Marc FerréO especialista independente da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Sudão, Mashood Adebayo Baderin, apelou nesta quinta-feira (3) às autoridades do país para que “realizem investigações imediatas, minuciosas e imparciais” sobre uso excessivo da força por parte de agentes de segurança contra manifestantes desarmados que, de acordo com relatos de diversas fontes, incluíram disparos de munição real. O relator pediu que os responsáveis sejam levados a julgamento.

Baderin demonstrou profunda preocupação com a censura à imprensa e com o grande número de detenções nos protestos em massa que começaram dia 23 de setembro no estado de Gezira e se espalharam por outras partes do país, como Cartum, Omdurman, Darfur e Sudão Oriental, provocando confrontos violentos entre manifestantes e policiais na capital do país.

Segundo relatos, pelo menos 800 ativistas, incluindo membros de partidos de oposição e jornalistas, foram presos durante as manifestações contra o corte de subsídios para combustíveis, quando 50 pessoas foram mortas por forças de segurança.

“Condeno veementemente o uso de violência contra manifestantes pacíficos e a destruição de propriedade pública durante os protestos. Peço que Governo e manifestantes abstenham-se de recorrer à violência”, disse.

Os detidos estão incomunicáveis, sem acesso a advogados nem familiares. “Peço que o Governo do Sudão apresente acusação com delito reconhecido contra todos os detidos ou que os libere imediatamente”, disse Baderin. “Além disso, o Governo deve permitir aos detentos acesso às famílias, representantes legais e assistência médica.”