Relator da ONU condena comida ‘junk’ e aponta o seu consumo como a principal causa da obesidade

Novo relatório revela que 2,1 bilhões de pessoas no mundo estão com sobrepeso ou obesas, enquanto ao menos 2,8 milhões morrem todos os anos devido ao excesso de peso.

Foto: Maurice Svay (Creative Commons)

Foto: Maurice Svay (Creative Commons)

A comida “junk” (não saudável) é a principal causa da epidemia de obesidade global e do aumento alarmante de mortes associadas às doenças ocasionadas por essa dieta. Com essa advertência, o relator especial sobre o direito à saúde, Anand Grover, solicitou o compromisso da comunidade internacional para tomar medidas que revertam esse quadro.

Durante a apresentação do relatório final ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, o relator especial revelou cifras perturbadoras: 2,1 bilhões de pessoas no mundo estão com sobrepeso ou obesas, enquanto ao menos 2,8 milhões morrem todos os anos devido ao excesso de peso.

“O culpado é a comida ‘junk’”, disse Grover. “Com alto nível de açúcar, sal, gordura trans e saturadas, este tipo de refeições substituiu, infelizmente, os alimentos saudáveis da nossa dieta”. Responsável pelas taxas crescentes de obesidade e doenças não transmissíveis em todo o mundo, “essa dieta já não é uma simples questão de saúde pública ou preocupação médica, dado que representa um sério desafio para a nossa vida, a nossa saúde e nossos direitos”, o relator especial acrescentou.

Para reverter a epidemia de obesidade, Grover instou os países a implementar suas obrigações com os direitos humanos, não só fornecendo alimentos nutritivos, mas também instituindo medidas para reduzir a carga de doenças relacionadas com a comida ‘junk’. Entre elas, assegurar a disponibilidade de informação sobre alimentos saudáveis, para que o consumir faça escolhas informadas e regulamentação do marketing e publicidades relacionados a esse tipo de dietas.

O especialista de direitos humanos também destacou que a indústria alimentícia tem um papel fundamental em encontrar respostas para essa tendência e deve abster-se de minar os esforços do governo para promover hábitos mais saudáveis e respeitar as legislações que estejam em vigor para desencorajar o consumo desse tipo de alimentos danosos para a saúde.