“Os governos que não apoiarem os esforços de busca e salvamento dos migrantes e refugiados estão no mesmo nível dos traficantes”, disse François Crépeau.

Os frágeis barcos que as pessoas usam para atravessar o Atlântico rumo às Ilhas Canárias são geralmente incapazes de navegar e superlotados. Foto: ACNUR/A. Rodríguez
O relator especial da ONU sobre os direitos humanos dos migrantes, François Crépeau, pediu nesta quinta-feira (30) que as autoridades britânicas reconsiderem a decisão, do início desta semana, de não apoiar as futuras operações de busca e salvamento no Mediterrâneo, alegando que isto pode encorajar mais pessoas a tentar a perigosa travessia marítima para entrar na Europa.
“Os governos que não apoiarem os esforços de busca e salvamento dos migrantes e refugiados estão no mesmo nível dos traficantes”, disse Crépeau. “Os migrantes são seres humanos e, assim como todos nós, também têm direitos. Permitir que morram nas fronteiras da Europa apenas por questões administrativas é um completo desrespeito ao valor da vida humana”, acrescentou.
De acordo com estimativas das Nações Unidas, mais de 130 mil migrantes e requerentes de asilo tentaram chegar na Europa somente em 2014, em comparação com 80 mil no ano passado. No total, cerca de 800 pessoas já morreram em suas tentativas de atravessar o Mediterrâneo.
“Abdicar do apoio a futuros migrantes em meio ao aumento registrado do número de mortos é terrível. É como dizer que uma boa forma de dissuasão é deixá-los morrer”, acrescentou.