Relator da ONU elogia planos da Arábia Saudita de reformar economia

Após visita à Arábia Saudita, o relator especial da ONU sobre a extrema pobreza afirmou que os planos do governo de transformar a economia do país representam uma oportunidade única para melhorar os direitos humanos dos pobres e das mulheres.

Apesar dos vários problemas de direitos humanos na Arábia Saudita, os planos econômicos reconhecem a necessidade de incentivar a plena participação feminina no mercado de trabalho — mudança necessária para permitir que elas se tornem mais produtivas e independentes, disse o relator.

Avenida em Riad, na Arábia Saudita. Foto: Ammar shaker/Wikimedia Commons (CC)

Avenida em Riad, na Arábia Saudita. Foto: Ammar shaker/Wikimedia Commons (CC)

Após visita à Arábia Saudita, o relator especial da ONU sobre a extrema pobreza, Philip Alston, afirmou na quinta-feira (19) que os planos do governo para transformar a economia do país representam uma oportunidade única para melhorar os direitos humanos dos pobres e das mulheres.

“Apesar dos vários problemas de direitos humanos na Arábia Saudita, o plano Visão 2030, o Programa Nacional de Transformação 2020 e o Programa de Balanço Fiscal reconhecem a necessidade de incentivar a plena participação feminina no mercado de trabalho — mudança necessária para permitir que as mulheres se tornem mais economicamente produtivas e independentes”, destacou Alston.

De acordo com o relator, a maioria dos sauditas está convencida de que o seu país está livre da pobreza. No entanto, ainda existem áreas muito pobres nas grandes cidades e em regiões rurais remotas.

Embora os programas governamentais tenham proliferado e as organizações de caridade tenham florescido desde então, o relator especial descreveu o atual sistema de proteção social para os pobres como “uma verdadeira miscelânea de programas ineficientes, insustentáveis, mal-coordenados e, sobretudo, mal-sucedidos”.

“No entanto, nas reuniões das quais participei, o governo foi severamente autocrítico sobre as deficiências de seu atual sistema de proteção social e parece estar fazendo verdadeiras tentativas de reformá-lo”, ponderou.

Alston pediu que o governo reconhecesse a proteção social como um direito humano e alertou que o calendário existente para a reforma era muito ambicioso, especialmente à luz da experiência de outros países, mostrando os riscos de uma forte reação contra as reformas radicais de subsídios.

Ele também pediu que o governo use seus programas para aumentar a igualdade de gênero, especialmente para as mulheres nos segmentos mais pobres da sociedade.

Durante a visita de doze dias à Arábia Saudita, o especialista em direitos humanos se reuniu com ministros e outros altos funcionários e encontrou especialistas do setor sem fins lucrativos, acadêmicos, ativistas e indivíduos que vivem na pobreza em Riad, Jeddah e Jizan.