Relator da ONU: ‘exemplo dado pelos EUA sobre tortura é um grande retrocesso na luta contra essa prática’

Juan Mendez, relator especial da ONU sobre Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes, tem a função de visitar vários países em todo o globo. Agora, afirma, os países perguntam-lhe, de forma implícita ou explícita, “Por que olhar para nós? Se os EUA torturam, por que não podemos fazê-lo?”

Foto: ACNUR/B. Szandelszky

Foto: ACNUR/B. Szandelszky

O uso de tortura nos interrogatórios dos prisioneiros capturados na chamada ‘guerra ao terror’ prejudicou a superioridade moral dos Estados Unidos da América e criou um retrocesso na luta global contra esta prática condenável, disse o relator especial da ONU sobre Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes, Juan Mendez, referindo-se ao relatório divulgado nesta semana sobre o uso de tortura pela CIA.

“O exemplo dado pelos Estados Unidos sobre o uso da tortura é um grande retrocesso na luta contra essa prática em muitos países em todo o mundo”, afirmou, nesta quinta-feira (11), Mendez.

Como relator especial cuja função é a de visitar vários países em todo o globo, ele acrescentou que agora os Estados-membros perguntam-lhe, de forma implícita ou explícita, “Por que olhar para nós? Se os EUA torturam, por que não podemos fazê-lo?”.

Com a revelação do uso de tortura pela CIA, Mendez acredita que a superioridade moral dos que lutam por acabar contra essa prática foi prejudicada. “Mas podemos e devemos recuperá-la”, afirmou.