Relator da ONU pede investigação internacional sobre assassinato de jornalista saudita

O especialista independente das Nações Unidas sobre liberdade de opinião e expressão disse estar “muito decepcionado” com o fato de Estados-membros terem fracassado até agora em apoiar pedidos de investigação internacional independente sobre o “evidente assassinato” do jornalista dissidente saudita Jamal Khashoggi.

Em entrevista ao UN News na segunda-feira (22), o relator especial David Kaye pediu que todos os governos se manifestem, seja através do Conselho de Segurança, do Conselho de Direitos Humanos ou persuadindo o secretário-geral da ONU a fazer tal investigação, em um momento em que jornalistas estão sob ataque no mundo todo.

Jamal Khashoggi, jornalista crítico ao governo da Arábia Saudita, desapareceu após entrar no consulado do seu país em Istambul. Foto: Project on Middle East Democracy/April Brady (CC)

Jamal Khashoggi, jornalista crítico ao governo da Arábia Saudita, desapareceu após entrar no consulado do seu país em Istambul. Foto: Project on Middle East Democracy/April Brady (CC)

O especialista independente das Nações Unidas sobre liberdade de opinião e expressão disse estar “muito decepcionado” com o fato de Estados-membros terem fracassado até agora em apoiar pedidos de investigação internacional independente sobre o “evidente assassinato” do jornalista dissidente saudita Jamal Khashoggi.

Em entrevista ao UN News na segunda-feira (22), o relator especial David Kaye pediu que todos os governos se manifestem, seja através do Conselho de Segurança, do Conselho de Direitos Humanos ou persuadindo o secretário-geral da ONU a fazer tal investigação, em um momento em que jornalistas estão sob ataque no mundo todo.

A respeito do formato da investigação, o relator especial sugeriu a criação de um órgão independente composto de, no máximo, cinco pessoas, que pode “avaliar as informações que autoridades turcas estão compartilhando furtivamente com a imprensa nas últimas semanas”.

Essa medida, segundo Kaye, pode fornecer um relato crível sobre o que aconteceu e, embora não responda a todas as perguntas, pode identificar quem foi responsável pelo crime — a comunidade internacional terá então que decidir o que fazer com essa informação.

Se tal investigação não acontecer, disse Kaye, os fatos serão constantemente contestados.

A morte de Jamal Khashoggi, segundo o relator, é símbolo de um amplo ataque à liberdade de informação e de reportagem, o que é “encapsulado” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descrevendo a imprensa como “inimiga do povo”.

O relator expressou preocupação com o “aumento das pressões sobre jornalistas e o que isso sugere sobre nossa capacidade de sustentar instituições democráticas quando temos tal pressão sobre pessoas que estão simplesmente tentando relatar o que veem como fatos”.

Kaye também destacou que, em seu próximo relatório à ONU, irá focar no uso abusivo de tecnologia comercial para espionar jornalistas, ativistas e cidadãos comuns, o que levanta dúvidas sobre as regras para uso de tais ferramentas e se estas deveriam ou não ter restrições.

A entrevista na sede da ONU em Nova York aconteceu uma semana antes do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, em 2 de novembro, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) irá lançar uma nova campanha, Truth Never Dies, para conscientização sobre os perigos que esses profissionais enfrentam — a cada quatro dias, um jornalista é morto em algum lugar do mundo.