Relator especial da ONU pede que regras globais para tratamento de prisioneiros sejam atualizadas

Juan E. Méndez defende redução do uso da solitária. Para ele, as práticas universais, definidas há mais de 50 anos, devem ser ajustadas à legislação internacional atual. Tema será discutido em dezembro no Brasil.

Presídio da Papuda. Foto: Wilson Dias/ABr

Presídio da Papuda. Foto: Wilson Dias/ABr

O relator especial das Nações Unidas sobre a tortura, Juan E. Méndez, pediu na terça-feira (22) que os princípios e práticas universais para o tratamento de prisioneiros e gestão de penitenciárias sejam atualizados, condenando especialmente o uso da solitária.

“É muito importante proibir de qualquer maneira o confinamento solitário para algumas categorias, como menores de idade, pessoas com deficiência mental e mulheres, especialmente as grávidas e as que estão amamentando”, disse Méndez a jornalistas em Nova York.

Ele também enfatizou a necessidade de estender as Regras Mínimas da ONU para o Tratamento de Prisioneiros para todos os locais de privação de liberdade, incluindo hospitais psiquiátricos e delegacias de polícia.

Essas regras foram criadas há mais de 50 anos e têm um peso considerável como um conjunto oficial de princípios e práticas globalmente aceitos para o tratamento de prisioneiros e gestão das penitenciárias.

“É bem óbvio que, a menos que as regras sejam revistas de modo a refletir adequadamente os recentes avanços na legislação internacional e melhores práticas, é improvável que as pessoas que trabalham nas penitenciárias olhem para além do que as regras atuais exigem”, ressaltou Méndez.

O relator insistiu que as regras devem conter diretrizes para a investigação adequada, independente e imparcial de todos os incidentes de tortura ou tratamento cruel, desumano e degradante em centros de detenção.

Méndez pediu que os países continuem envolvidos com o Grupo Intergovernamental de Peritos e considerem as recomendações feitas em seu relatório para a revisão das regras, tema que será discutido na próxima reunião do grupo em dezembro deste ano no Brasil.