Alertando para uma forte escalada das hostilidades na província de Kachin, em Mianmar, uma especialista em direitos humanos da ONU pediu na terça-feira (1) que todas as partes garantam maior proteção aos civis.
Segundo a imprensa internacional, o conflito em Kachin envolve insurgentes que fazem parte da minoria que batiza o estado. Há anos o país enfrenta confrontos entre o governo central, dominado pela maioria budista, e diferentes grupos étnicos e religiosos.
Nesta semana, o Conselho de Segurança da ONU concluiu missão em Bangladesh e Mianmar, verificando de perto o sofrimento de centenas de milhares de refugiados rohingya que atravessaram a fronteira entre os dois países para escapar da violência.

Delegação de membros do Conselho de Segurança da ONU reúne-se com líderes das forças armadas de Mianmar para discutir violência no país. Foto: UNIC Yangon
Alertando para uma forte escalada das hostilidades na província de Kachin, em Mianmar, uma especialista em direitos humanos da ONU pediu na terça-feira (1) que todas as partes garantam maior proteção aos civis.
Segundo informações recebidas pela relatora, os militares realizaram bombardeios aéreos e utilizaram artilharia pesada em áreas civis perto da fronteira com a China.
Segundo a imprensa internacional, o conflito em Kachin envolve insurgentes que fazem parte da minoria que batiza o estado. Há anos o país enfrenta confrontos entre o governo central, dominado pela maioria budista, e diferentes grupos étnicos e religiosos.
“Civis inocentes estão sendo mortos e feridos, e centenas de famílias estão agora fugindo para salvar suas vidas”, disse Yanghee Lee, relatora especial da ONU para a situação dos direitos humanos em Mianmar.
“O que estamos vendo em Kachin nas últimas semanas é totalmente inaceitável e precisa parar imediatamente.”
De acordo com informações das Nações Unidas, mais de 5 mil civis foram deslocados de vilarejos perto da fronteira com a China nas últimas três semanas. Crianças, grávidas, idosos e pessoas com deficiência estão entre os deslocados.
Em comunicado, a relatora da ONU reiterou que todas as partes no conflito precisam seguir a lei humanitária internacional e tomar precauções para não prejudicar civis.
Em março, a atenção do mundo esteve focada na situação da crise de refugiados rohingya no estado de Rakhine, mas a relatora alertou também para a situação em Kachin, Shan e outras áreas afetadas por conflitos em Mianmar.
“No estado de Kachin, onde violência esporádica e assassinatos intermitentes têm sido a norma nos últimos anos, houve um aumento da frequência e intensidade dos confrontos entre as forças armadas do país e o Exército pela Independência de Kachin desde outubro de 2017, resultando em mortes e no deslocamento de população civil”, disse a relatora em documento enviado ao Conselho de Direitos Humanos.
Conselho de Segurança realiza missão em Bangladesh e Mianmar
O Conselho de Segurança da ONU concluiu esta semana sua missão em Bangladesh e Mianmar, verificando de perto o sofrimento de centenas de milhares de refugiados rohingya que atravessaram a fronteira entre os dois países para escapar da violência.
Na segunda-feira (30), a delegação de diplomatas do Conselho formado por 15 países chegou à capital de Mianmar, Naypyidaw, para reuniões com a líder do país, Aung San Suu Kyi, e líderes das forças armadas, de acordo com o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric. Embaixadores também se reuniram com representantes da sociedade civil, do Parlamento e do Executivo.
Na terça-feira (1), os membros do Conselho viajaram ao estado de Rakhine, epicentro da crise de deslocamento em massa provocada pelo conflito entre residentes budistas do estado e muçulmanos rohingya que também vivem na região há décadas.
De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), cerca de 671 mil refugiados rohingya fugiram da violência e de sérias violações de direitos humanos em Mianmar desde agosto do ano passado.
Na semana passada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou a nomeação da suíça Christine Schraner Burgener como enviada especial a Mianmar, com o objetivo de fortalecer os esforços da Organização no apoio à paz e ao processo de reconciliação no país.
Na terça-feira (1), os membros do Conselho de Segurança pediram que os refugiados rohingya possam retornar com segurança ao seu país.
Em coletiva de imprensa, o representante permanente do Kuwait na ONU, Mansour Ayyad Al-Otaibi, pediu a total implementação de um acordo entre os governos de Mianmar e de Bangladesh para o retorno dos refugiados.
“Vimos que o governo de Mianmar tomou muitos passos para implementar o acordo, mas acredito que mais precisa ser feito”, disse. “O que realmente queremos é acelerar o processo de retorno dos refugiados de forma segura, voluntária e digna”, acrescentou.
Os membros do Conselho de Segurança também pediram que a comunidade internacional continue apoiando o trabalho que está sendo feito pelas agências humanitárias e da ONU no sul de Bangladesh, em nome das centenas de milhares de refugiados vulneráveis vivendo na região.

Mulheres e crianças aguardam ajuda em Cox’s Bazar, Bangladesh, onde vivem 1 milhão de refugiados rohingya. Foto: OIM/Olivia Headon
Temporada de tempestades ameaça campos de refugiados
As vidas de dezenas de milhares de refugiados rohingya estão em risco na medida em que a temporada de tempestades e ciclones ameaça os campos no sul de Bangladesh, alertou a agência da ONU para as migrações na sexta-feira (27), pedindo apoio financeiro urgente para preparar a área contra inundações e deslizamentos.
Sem novo financiamento, dezenas de milhares de pessoas que estão nos campos, fugindo da violência em Mianmar, estarão em risco, disse a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
“Não podemos esperar que o financiamento chegue depois de a emergência acabar e possivelmente depois de uma tragédia que poderia ser evitada”, disse John McCue, coordenador de operações da OIM em Cox’s Bazar, em Bangladesh.
Quase 1 milhão de refugiados rohingya vivem no distrito de Cox’s Bazar sob lonas, em declives íngremes e arenosos — 25 mil dos quais vivendo em locais com maior risco de deslizamentos de terra.
Sem ajuda, muitos terão de permanecer nessas perigosas localidades e centenas de milhares de outros estão sob risco se as estradas se tornarem intransitáveis, bloqueando o acesso à ajuda e a serviços médicos.