Relatora Especial da ONU alerta sobre abuso de trabalhadoras domésticas no Líbano

Para Relatora sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, Gulnara Shahinian, são principalmente as mulheres imigrantes que sofrem com condições de servidão.

Muitos dos 200 mil trabalhadores e trabalhadoras domésticas do Líbano vivem em condição de servidão e estão sujeitos a abuso físico e sexual. O alerta é da Relatora Especial das Nações Unidas sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, Gulnara Shahinian. As mulheres imigrantes são as principais vítimas.

Shahinian afirmou que muitos trabalhadores são forçados a viver nas casas dos empregadores, enfrentam discriminação racial e de gênero e sofrem com a falta de proteção para garantir seus direitos.

Para a Relatora Especial, a solução é garantir uma proteção legal e social para os empregados. Ela elogiou as atitudes do Governo libanês de criar uma linha telefônica para receber denúncias e de formar um comitê nacional para enfrentar a questão.

O Comitê desenvolveu um modelo de contrato e um novo projeto de lei para trabalhadores. “A lei precisa explicitar garantias como o direito de manter seus passaportes, de liberdade de movimento, folga, alojamento privado e salários justos”, defendeu Shahinian.

Ela ressaltou ainda uma falha no atual sistema de visto: quando o(a) empregado(a) doméstico(a) deixa o empregador, ele(a) é visto(a) como alguém que infringiu a lei e não uma possível vítima de violação de direitos humanos.