Relatores da ONU não conseguem entrar no Burundi para avaliar situação dos direitos humanos no país

Solicitações de entrada no país não obtiveram resposta das autoridades. ONU já estava ciente de casos de tortura, desaparecimento forçado e violência sexual envolvendo forças de segurança, no Burundi.

A violenta crise política que teve início no passado já levou milhares de cidadãos do Burundi a fugir do país. Foto: ACNUR / S. Masengesho

A violenta crise política que teve início no passado já levou milhares de cidadãos do Burundi a fugir do país. Foto: ACNUR / S. Masengesho

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) informou, nesta terça-feira (26), que uma equipe de relatores especiais, escolhidos pela ONU para investigar violações e abusos no Burundi, não pôde entrar no país. Autoridades burundianas não responderam às solicitações de entrada no território dos especialistas. Na véspera (25), o chefe de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu ao governo que tomasse as medidas necessárias para permitir a visita da equipe.

Há 11 dias, Al Hussein alertou a comunidade internacional a respeito do agravamento das violações e agressões no Burundi. O alto comissário destacou denúncias de violência sexual envolvendo as forças de segurança e um aumento agudo no número de desaparecimentos forçados e casos de tortura. A crise na nação africana teve início em abril de 2015, quando o presidente Pierre Nkurunziza decidiu se candidatar a um terceiro mandato, contrariando a Constituição do país.

Em dezembro, o Conselho de Direitos Humanos da ONU havia solicitado ao chefe do ACNUDH que organizasse e despachasse “urgentemente” uma missão composta por especialistas independentes para avaliar a conjuntura do Burundi. O Escritório organizou uma equipe com um relator especial para execuções extrajudiciais, sumárias e arbitrárias, outro especialista para a promoção da verdade, da justiça, da reparação e das garantias de não recorrência e um terceiro relator, que é membro da Comissão Africana sobre Direitos Humanos e dos Povos.

A equipe está prevista para se reportar ao Conselho em março de 2016, prazo que corre o risco de não ser cumprido devido ao atraso envolvendo a visita dos especialistas ao país. A porta-voz do ACNUDH, Cécile Pouilly, informou que o Alto Comissariado espera que o governo do Burundi garanta as condições necessárias, como o fornecimento de vistos, ao trabalho dos relatores.