Novo relatório sobre jovens desaparecidos levanta dúvidas sobre versão oficial da morte dos 43 estudantes de Ayotzinapa, em Guerrero, ocorrida em setembro de 2014.

Familiares dos estudantes desaparecidos em Iguala, México, compareceram a sessão do Fórum para pedir justiça. Foto: ONU/Rocio Franco
Um grupo independente de especialistas em direitos humanos da ONU parabenizaram nesta quarta-feira (09) o novo relatório sobre os desaparecimentos, execuções e tortura de estudantes de Ayotzinapa, em Guerrero, estado do México, em setembro de 2014 produzido pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Os relatores frisaram a necessidade do Governo de seguir e implementar as recomendações, incluindo a investigação correta do caso e a punição dos responsáveis. Eles ofereceram também assistência técnica e cooperação ao país.
De acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), 43 estudantes foram vistos pela última vez no dia 26 de setembro de 2014 quando chegaram em Guerrero para protestar. Segundo relatos, eles foram parados pela polícia, que estaria envolvida com criminosos, que atirou em seis pessoas, deixando 17 feridas, enquanto os 43 estudantes foram levados sob custódia.
Os estudiosos declararam o apoio do governo mexicano na criação de um Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes da Comissão Interamericana (GIEI).
De acordo com o GIEI, ao contrário da versão oficial, os “43 estudantes não teriam sido cremados no depósito de lixo de Cocula”. Junto com os relatores especiais da ONU, o Grupo Interdisciplinar pediu a retomada da investigação, incluindo os detalhes da busca dos estudantes, além das alegações de tortura e maus-tratos. Foi também destacada a necessidade de “investigação de todos os oficiais que obstruíram a busca”.