Um dos fundadores da organização não governamental Juventude Contra Assentamentos e Defensores de Hebron, Issa Amro foi detido 20 vezes em 2012 e seis em 2013, sem qualquer acusação.

Relator especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados da Palestina, Richard Falk. Foto: ONU/Jess Hoffman
Um grupo de especialistas em direitos humanos independentes da ONU expressou nesta terça-feira (13) profunda preocupação com o assédio judicial contínuo, intimidação e maus tratos contra Issa Amro, um proeminente palestino defensor dos direitos humanos. Um dos fundadores da organização não governamental Juventude Contra os Assentamentos e Defensores de Hebron, Amro foi detido 20 vezes em 2012 e seis em 2013, sem qualquer acusação.
O relator especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados da Palestina, Richard Falk, disse que Amro parece ser vítima de um “padrão de assédio” – que incluiu um esforço para intimidá-lo antes de sua participação em junho de 2013 como representante de ONGs no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, Suíça, onde fez duas declarações. Nos últimos meses, Amro recebeu uma série de ameaças de morte da Organização dos Colonos.
Falk afirmou em comunicado que “uma das características mais insidiosas da ocupação prolongada da Cisjordânia é o alto grau de cumplicidade que liga a administração militar israelense à violência dos colonos ilícitos contra habitantes palestinos”.
“O direito à liberdade de associação sugere que aqueles que a exercem estão especificamente protegidos contra ameaças ou uso de violência, assédio, perseguição, intimidação ou represálias”, ressaltou o relator especial sobre o direito de reunião pacífica e de associação, Maina Kiai.
A relatora especial sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Margaret Sekaggya, acrescentou que Amro tem enfrentado uma campanha “inaceitável de assédio, intimidação e represálias” que se estendeu a outros ativistas dos direitos humanos que defendem pacificamente os direitos dos palestinos na Cisjordânia, incluindo a cooperação com órgãos da ONU.
“Apelamos ao Governo de Israel que se certifique que todas as acusações de tortura ou de tratamento cruel, desumano ou degradante contra palestinos sob custódia israelense sejam investigadas de maneira completa e transparente e que os perpetradores sejam responsabilizados por seus atos”, ressaltaram os especialistas.