Relatores Especiais da ONU pedem criação de fundo para enfrentar a pobreza

Segundo especialistas, sem programa que estabeleça base global de proteção social, o desemprego e a insegurança alimentar continuarão impedindo o combate à miséria.

Relatores especiais da ONU querem novo Fundo para combate à pobreza

Uma nova iniciativa para assegurar a proteção social das pessoas mais pobres do mundo é uma necessidade crescente, segundo dois peritos independentes das Nações Unidas. Para os Relatores Especiais sobre Extrema Pobreza e sobre o Direito à Alimentação, Magdalena Sepúlveda e Olivier De Schutter, sem esse programa, o desemprego crônico e a insegurança alimentar, entre outros, continuarão sendo barreiras para o combate à miséria.

Em um comunicado de imprensa conjunto lançado ontem (9), os relatores pediram a criação de um Fundo Mundial para a Proteção Social. Ambos também atestaram que 2% do produto interno bruto global (PIB) seria suficiente para fornecer a todas as pessoas pobres do planeta toda proteção social básica em relação ao desemprego, doenças e custos dos alimentos. A proposta é baseada em um novo relatório sobre a fome publicado também ontem (9) pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA). O documento afirma que cerca de 870 milhões de pessoas no planeta estavam sofrendo de desnutrição crônica no biênio 2010-2012.

“Após a seca deste verão nos EUA, os preços dos alimentos estão perigosamente altos pela terceira vez em cinco anos, e a fome continua em níveis inaceitavelmente altos, como mostra o documento da FAO”, disseram Sepúlveda e Schutter.

Os especialistas ressaltaram que o novo fundo iria apoiar países em desenvolvimento a enfrentar catástrofes naturais, confrontar o excesso de demanda e estabelecer uma base de proteção social.

“O apoio internacional para medidas de proteção social torna-se ainda mais relevante no contexto da crise econômica global e seu impacto severo sobre os países menos desenvolvidos. A solidariedade internacional é necessária”, completaram os relatores.