Documento aponta para outros casos de violações de direitos, como desaparecimentos forçados e estupros. Organização pede responsabilização dos infratores.

Crianças sul-sudanesas seguram um cartaz escrito: “guerras não solucionam o problema. Silenciem as armas agora”. Foto: Facebook ACNUDH
O Sudão do Sul apresenta uma série de casos de violações de direitos, entre eles, execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados e estupros coletivos, destacou o relatório publicado pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) em parceria com a Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) nesta quinta-feira (21).
“Os constantes ataques às mulheres, o estupro, a escravidão e abatimento de inocentes; o recrutamento de milhares e milhares de crianças-soldado; o deslocamento deliberado de um vasto número de pessoas em um país duro, assolado pela pobreza – essas são práticas abomináveis que precisam ser interrompidas”, afirmou o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.
Desde meados de 2015, um novo padrão de ataques emergiu no país, particularmente nas províncias centrais e do sul do Estado. Povoados inteiros têm sido queimados, cultivos alimentares destruídos e gados saqueados. Segundo o relatório, há indícios de que essa seja uma estratégia deliberada pelo governo ou pelo exército de privar os civis de qualquer fonte de sobrevivência e forçar seu deslocamento.
“Muitos poucos lugares do conflito têm sido seguros, à medida que as partes têm atacado intencionalmente recintos seguros, como lugares de culto, hospitais e, de tempos em tempos, as bases das Nações Unidas”, afirmou o documento.
Ao menos 280 casos de violência sexual relacionadas ao conflito, incluindo violações em grupo, escravidão sexual e aborto forçado foram registrados, bem como um intenso aumento no recrutamento de crianças, com pelo menos 13 mil a 15 mil crianças-soldado, recrutadas, principalmente, mas não somente, por forças da oposição, a partir de dezembro de 2015.
“Apesar da severidade das violações de direitos humanos e do direito humanitário perpetradas por ambos os lados do conflito, não há mecanismos tangíveis de responsabilização além da retórica dos principais beligerantes”, destacou o relatório.
“É tempo de acabar com o ciclo de impunidade que permitiu que essas violações ocorram e abraçar um futuro melhor de paz sustentável para todos os sul-sudaneses”, afirmou a representante especial do Ban Ki-moon e chefe da UNMISS, Elle Margrethe Løj.
Acesse o relatório completo aqui.