Relatório da ONU denuncia violações de direitos humanos em ‘escala massiva’ no Sudão do Sul

Segundo chefe de direitos humanos da ONU, documento ressalta urgência em dar um fim ao conflito. Violações incluem possíveis crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Escola improvisada na base da ONU em Bentiu. Foto: UNMISS/Edward Kargbo

Escola improvisada na base da ONU em Bentiu. Foto: UNMISS/Edward Kargbo

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou nesta sexta-feira (9) que o relatório da ONU relatando violações brutais dos direitos humanos no Sudão do Sul – em uma “escala massiva” e incluindo a possibilidade de crimes de guerra e crimes contra a humanidade – “sublinham a urgência de se acabar com o conflito”.

No relatório, elaborado pela missão de paz da ONU no país (UNMISS) e que conta com o depoimento de mais de 900 vítimas, constam, entre outros crimes, assassinatos em massa baseados na etnia dos civis, execuções sumárias, sequestros e violência sexual.

Pillay afirmou que “como ex-presidente do Tribunal Criminal Internacional para o Ruanda, eu reconheço neste caso muitas situações antecessoras de genocídio: mensagens de ódio na mídia, incluindo mensagens pró-estupro de mulheres de um grupo étnico particular; ataques a civis em hospitais, igrejas e mesquitas; e até ataques a pessoas refugiadas na base da ONU – e tudo baseado na etnia das vítimas”.

Pillay apelou aos líderes das duas partes em conflito para que punam os responsáveis pelos crimes, destacando que “não é credível” que não saibam a identidade dessas pessoas.

Referindo-se ao comprometimento da comunidade internacional, Pillay disse que “o mundo finalmente acordou para o que se está passando no Sudão do Sul”, mas é necessário “tomar ações concretas e imediatas” para evitar que o país “colapse rumo a uma catástrofe”.

Os dois líderes sul-sudaneses em conflito, o presidente Salva Kiir e seu oponente Riek Machar, têm um encontro agendado em Adis Abeba, na Etiópia, para conversações de paz.