Relatório da ONU destaca impacto da perda de terra e recursos para a economia da Palestina

De acordo com relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a produção agrícola e a parcela do setor no PIB do Território Palestino Ocupado reduziram em 11% e 0,5%, respectivamente, entre os anos 2015 e 2016.

A escassa utilização de terras cultiváveis, a falta de irrigação e a proibição da importação de fertilizantes adequados por parte do governo de Israel são as causas das reduções, indicou o documento.

Barreiras, bloqueios, pontos de verificação e outros sistemas na Cisjordânia criaram um regime de bloqueio que teve um efeito terrível em todos os aspectos da vida dos refugiados da Palestina. Foto: UNRWA / Isabel de la Cruz

Barreiras, bloqueios, pontos de verificação e outros sistemas na Cisjordânia criaram um regime de bloqueio que teve um efeito terrível em todos os aspectos da vida dos refugiados da Palestina. Foto: UNRWA / Isabel de la Cruz

De acordo com o relatório divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) neste mês de setembro, a produção agrícola e a parcela do setor no PIB do Território Palestino Ocupado reduziram em 11% e 0,5%, respectivamente, entre os anos 2015 e 2016.

A escassa utilização de terras cultiváveis, a falta de irrigação e a proibição da importação de fertilizantes adequados por parte do governo de Israel são as causas das reduções, indicou o documento.

“O fato de que, hoje, o PIB real per capita no Território Palestino Ocupado esteja no mesmo nível que em 1999 é uma clara indicação do custo humano e da perda de potencial econômico resultante da ocupação”, disse a UNCTAD em um comunicado de imprensa sobre o relatório.

Segundo a agência da ONU, o crescimento econômico em todos os setores é reduzido pela perda de terra e recursos para os assentamentos israelenses e a anexação de terras na Cisjordânia.

Além disso, restrições à importação de insumos essenciais elevam os custos de produção e reduzem o investimento, levando ao alto desemprego e à pobreza generalizada. A previsão é que esse quadro continue em 2017.

No comunicado de imprensa, a agência ressaltou que, em relação às atividades de reconstrução, apenas metade dos 3,5 bilhões de dólares prometidos na Conferência de Cairo de 2014 sobre a Palestina foram desembolsados A agência comunicou ainda que 84% das demandas de recuperação permanecem insatisfeitas.

O relatório mostrou que 80% da população de Gaza recebe assistência alimentar e outras formas de transferências sociais, metade da população vive em insegurança alimentar e apenas 10% têm acesso a abastecimento melhorado da água, o que aflige todas as atividades econômicas e a prestação de serviços vitais.

A UNCTAD informou ainda uma queda de 38% na Palestina em relação a apoio dos doadores entre 2014 e 2016, devido, em parte, à ocupação, que impede que os fluxos de ajuda anteriores se traduzam em ganhos tangíveis de desenvolvimento.

Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.