Relatório da ONU encoraja países africanos a apoiar setor de turismo

Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) lançou relatório sobre desenvolvimento econômico na África com foco no turismo para um crescimento transformador e inclusivo. Setor é dinâmico e tem “potencial fenomenal” no continente.

Arte: UNCTAD. Adaptação para o português: UNIC Rio

Arte: UNCTAD. Adaptação para o português: UNIC Rio

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) lançou nesta quarta-feira (5) seu Relatório sobre Desenvolvimento Econômico na África 2017. O documento se concentra no turismo para um crescimento transformador e inclusivo.

Para o chefe do UNCTAD, Mukhisa Kituyi, o “turismo é um setor dinâmico com potencial fenomenal na África”. Segundo Kituyi, se o setor for gerenciado de forma adequada, “pode contribuir imensamente para a diversificação e inclusão de comunidades vulneráveis”.

Chantal Line Carpentier, chefe do escritório da agência em Nova Iorque, afirmou que o turismo contribui atualmente com cerca de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente, um crescimento em relação aos 6,8% em 1998.

Carpentier ressaltou que o turismo na África tem sido cada vez mais impulsionado pelos próprios africanos, em meio a uma classe média em ascensão.

Segundo a representante, quatro em cada 10 turistas internacionais na África são do próprio continente. Ela afirmou ainda que, até 2026, a “contribuição direta do turismo ao PIB do continente deve passar de US$ 121 bilhões”.

Arte: UNCTAD. Adaptação para o português: UNIC Rio

Arte: UNCTAD. Adaptação para o português: UNIC Rio

Ao destacar algumas conclusões do relatório, Chantal Carpentier afirmou que, para concretizar o crescimento econômico do continente, governos devem tomar medidas para liberalizar o transporte aéreo, promover o livre movimento de pessoas, assegurar possibilidade de conversão de moedas e, principalmente, reconhecer o valor turismo na África e promover o planejamento no setor.

A representante do UNCTAD citou a importância de facilitar viagens entre países e de manter o dinheiro no continente – comprando, por exemplo, comida de produtores locais, muitos vivendo na pobreza, em vez de importar produtos.

Mulheres e jovens

Para Carpentier, o crescente setor de turismo oferece oportunidades para jovens que, globalmente, representam metade da força de trabalho do setor.

As mulheres também têm grande representatividade na área, presentes em cerca de um terço dos empregos.

Outro importante tema destacado no relatório é a relação entre paz, ou sua percepção, e o turismo. O documento menciona que os impactos da estabilidade política podem ser significativos e duradouros.

Por exemplo, na sequência de instabilidade na Tunísia, as receitas totais com turismo no país entre 2009 e 2011 caíram 27% em média, de US$ 3,5 bilhões para US$ 2,5 bilhões.

Arte: UNCTAD. Adaptação para o português: UNIC Rio

Arte: UNCTAD. Adaptação para o português: UNIC Rio

A UNCTAD defende ser fundamental para o crescimento do turismo na África que governos e instituições regionais respondam rapidamente a crises e abordem preocupações de segurança.

Segundo a agência, promover estratégias voltadas para melhorar a imagem da África na mídia internacional também é essencial para a recuperação do setor após conflitos ou agitação política.

A simples aparência de instabilidade em uma região pode desencorajar os turistas, levando a consequências econômicas arrasadoras e duradouras. No entanto, o UNCTAD ressaltou que a percepção de perigo nem sempre corresponde à realidade.

Um exemplo é o surto de ebola em 2014 na África Ocidental. Apesar de ter sido isolado em relativamente poucos países da região, a crise resultou em perdas em todo o continente.

Acesse o documento clicando aqui.

Arte: UNCTAD. Adaptação para o português: UNIC Rio

Arte: UNCTAD. Adaptação para o português: UNIC Rio

(Com Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque)