Relatório encoraja mudanças no apoio aos países menos desenvolvidos

Relatório elaborado pela UNCTAD revelou ontem (25/11) que as medidas de apoio internacional aos Países Menos Desenvolvidos (PMD) falharam na tarefa de acelerar seu crescimento e desenvolver as mudanças necessárias ajudar os Estados mais pobres.
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O Relatório sobre os Países Menos Desenvolvidos 2010, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) revelou ontem (25/11) que as medidas de apoio internacional aos Países Menos Desenvolvidos (PMD) falharam na tarefa de acelerar seu crescimento e desenvolver as mudanças necessárias ajudar os Estados mais pobres. O Relatório avalia também o desenvolvimento dos PMD na última década, e avalia a melhor forma para a comunidade internacional ajudar os países mais vulneráveis.

“As atuais medidas de apoio internacional aos Países Menos Desenvolvidos não foram suficientes para acelerar o crescimento e o desenvolvimento”, afirmou o Alto Representante da ONU para os Países Menos Desenvolvidos, Países em Desenvolvimento sem Litoral e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Cheick Sidi Diarra. O Coordenador Especial da UNCTAD sobre os PMD, Charles Gore, concorda com Diarra. Segundo ele, apesar dos PMD terem aumentado seus níveis de crescimento econômico e de resistência à recessão global de 2009, ainda há muitos problemas.

O Relatório avalia as medidas de apoio específico aos PMD ao longo da última década, concluindo que o atual conjunto de metas não funcionou: “As medidas de auxílio internacional vigentes tiveram mais um efeito simbólico do que prático para efeitos do desenvolvimento”, disse Gore, acrescentando que os objetivos da ajuda não foram cumpridos e que o auxílio permanece preso a especificidades.

Diarra também destacou os desafios que os PMD terão de enfrentar no futuro, especificamente os climáticos. “Muitos já estão sofrendo o impacto negativo das mudanças climáticas e, portanto, requerem uma injeção de novos fundos e tecnologias para lidar com isso”, apontou.
Em um desenvolvimento relacionado, a 14 ª Conferência sobre Recursos Naturais Africanos, organizada pela UNCTAD, terminou hoje em São Tomé e Príncipe, com uma resolução recomendando que uma força-tarefa seja criada pelos governos africanos “para trabalhar sobre os métodos e critérios de avaliação do conteúdo local na área de recursos naturais”.

As discussões durante a Conferência e Exibição da UNCTAD sobre Petróleo, Gás e Minérios, Comércio e Finanças salientaram que devem ser tomadas medidas para diminuir a natureza de “enclave” na extração de recursos naturais nos países do continente. Em vez disso, os participantes disseram que precisam ser estabelecidas ligações entre as economias nacionais e as operações – muitas vezes executadas e concebidas por estrangeiros – que esgotam esses recursos.