Representante da ONU chama a atenção para situação política na Bósnia-Herzegóvina

Em reunião no Conselho de Segurança, Valentin Inzko alertou para a direção “politicamente errada” que o país está seguindo, com interesses particulares predominando sobre o dos cidadãos e do país.

Representante da ONU para a Bósnia-Herzegóvina, Valentin Inzko, fala ao Conselho de Segurança.

Representante da ONU para a Bósnia-Herzegóvina, Valentin Inzko, fala ao Conselho de Segurança.

Um representante das Nações Unidas alertou nesta quinta-feira (15) ao Conselho de Segurança da ONU sobre a direção “politicamente errada” que a Bósnia-Herzegóvina está seguindo e sobre a possibilidade de os governantes estarem criando tensões étnicas para desviar a atenção dos problemas reais.

“Eu estou extremamente preocupado com o risco de o país cair numa espiral descendente de retaliações políticas, de onde será difícil emergir”, afirmou o representante da Organização para a Bósnia-Herzegóvina, Valentin Inzko, ao Conselho.

Inzko explicou que “os mesmos velhos erros – colocar os interesses de uma classe privilegiada à frente dos interesses do país e dos cidadãos – continuam sendo cometidos”. Além disso, afirmou, vem sendo ignorado que a população enfrenta crescentes problemas sócio-econômicos, bem como problemas com a corrupção no país.

Assim, sobre os protestos por todo o país no mês de fevereiro, Inzko diz tratar-se de uma “chamada de atenção” para os políticos locais e a comunidade internacional uma vez que “o país não pode continuar seguindo indefinidamente esta direção sem que hajam sérias consequências”.

A Bósnia-Herzegóvina realizará eleições gerais durante o mês de outubro. O representante, que afirmou que estas serão “as votações mais contestadas desde o Acordo de Paz de Daytona/Paris”, expressou a sua preocupação com a possibilidade de disputas no terreno dada a controvérsia sobre os direitos de voto.