Tensões étnicas no norte e frequentes incursões armadas por rebeldes de países vizinhos têm se somado à insegurança e à instabilidade na RCA, onde 170 mil pessoas estão deslocadas internamente.
A Representante Especial do Secretário-Geral da ONU na República Centro-Africana (RCA) condenou hoje (10) as violações a um acordo de paz de 2008, que ajudou a trazer certa estabilidade ao país. Margaret Vogt pediu a líderes políticos que resolvam pacificamente eventuais conflitos.
“As Nações Unidas não vão tolerar que civis sejam pegos como reféns por grupos ou indivíduos – autores de violações dos direitos humanos serão considerados pessoalmente responsáveis por seus crimes”, declarou Margaret Vogt, que também é Chefe do Escritório Integrado da ONU de Construção da Paz na República Centro-Africana (BINUCA).
A RCA tem histórico de instabilidade política e conflitos armados. A autoridade do Estado é fraca em muitas partes do país, que são em grande parte controladas por grupos rebeldes e grupos armados criminosos, de acordo com o Departamento de Assuntos Políticos (DPA) da ONU. Tensões étnicas no norte, frequentes incursões armadas por rebeldes de países vizinhos e do grupo armado conhecido como Resistência do Senhor (LRA) têm se somado à insegurança e à instabilidade na RCA, onde 170 mil pessoas estão deslocadas internamente.
Em junho de 2008, foi assinado o Acordo de Paz Global Libreville, no qual o governo e os três principais grupos rebeldes, com intermediação da BINUCA, se comprometiam a participar de um diálogo inclusivo para a criação de um governo de unidade nacional, uma comissão nacional de direitos humanos e o lançamento de um programa de desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) dos ex-combatentes.
Diante de desafios persistentes para a paz – incluindo recorrentes surtos de violência no leste do país e o ritmo lento da implementação do programa de DDR – o Escritório da ONU reafirma que continuará monitorando a situação da RCA e trabalhando com líderes locais e parceiros para a consolidação da paz.