Representante da ONU faz críticas a líderes políticos da Bósnia-Herzegóvina

Durante reunião no Conselho de Segurança da ONU, Valentin Inzko disse que líderes e partidos políticos continuam colocando “seus próprios interesses estreitos antes dos cidadãos e do país” e pediu apoio da comunidade internacional.

Representante da ONU para a Bósnia-Herzegóvina, Valentin Inzko (à direita), durante informa ao Conselho de Segurança. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Representante da ONU para a Bósnia-Herzegóvina, Valentin Inzko (à direita), durante informa ao Conselho de Segurança. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Líderes políticos da Bósnia-Herzegóvina ainda estão aquém das expectativas dos seus cidadãos e da comunidade internacional, fazendo com que o país fique muito trás de seus vizinhos na integração regional. Estes e outros informes foram debatidos no Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira (14), durante debate sobre o país.

“Não pode haver mais desculpas e não há lugar para se esconder de suas responsabilidades. A escolha é simples. Eles podem ter sucesso juntos ou eles podem falhar juntos”, disse Valentin Inzko, representante da ONU para a Bósnia-Herzegóvina, convidando os líderes políticos a “mostrar a coragem” de alcançar os compromissos que “permitirão que o país tenha progresso”.

Apesar dos avanços da Bósnia-Herzegóvina nas últimas duas décadas, Inzko disse ao Conselho – durante a reunião ordinária do órgão de 15 membros sobre a situação no país – que o trabalho da comunidade internacional ainda não foi finbalizado e seu compromisso continua a ser essencial.

Com a Sérvia e Kosovo fazendo progressos para normalizar as relações, a Croácia a apenas sete semanas de se tornar membro de pleno direito da União Europeia e Montenegro também realizando progressos “impressionantes”, disse ele, “a região está se movendo, [enquanto] lamentavelmente a Bósnia-Herzegóvina está estagnada”.

“Eu quero deixar claro, em termos inequívocos, que a razão fundamental para que o país continue a ficar para trás de seus vizinhos é o fato de que os funcionários eleitos e partidos políticos continuam a colocar seus próprios interesses políticos pessoais e partidários estreitos antes dos interesses dos cidadãos e do país como um todo”, criticou o representante da ONU.

Inzko observou que, em abril, as autoridades não conseguiram chegar a um acordo para implementar uma decisão importante do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos no caso “Sejdic e Finci versus Bósnia-Herzegóvina” para desbloquear a próxima fase do processo de integração à União Europeia.

Inzko afirmou que as autoridades fizeram “pouco progresso concreto” para registrar propriedade militar em nome do Estado, o que é necessário para o processo de integração à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

‘Padrão de desrespeito ao Estado de Direito’

O representante da ONU também expressou preocupação com “um padrão de desrespeito ao Estado de Direito no país”, que surgiu nos últimos dois anos, principalmente nas ocasiões em que atores políticos tiveram direitos ignorados ou violados por “conveniência política”.

Inzko disse que a Bósnia-Herzegóvina, “felizmente”, não têm as “dimensões imediatas de segurança”, mas ressaltou que os progressos realizados após as guerras da região na década de 1990 ainda não foram realizados e serão perdidos caso não haja compromisso continuado da comunidade internacional.

Ele acrescentou que a União Europeia e as missões militares da OTAN no país continuam a assegurar aos cidadãos que o país esteja seguro, apesar da “difícil” situação política.

O Conselho de Segurança deverá agir em novembro sobre o mandato da força de estabilização da União Europeia (EUFOR), que assumiu as responsabilidades de manutenção da paz em 2004, no lugar de uma força de estabilização liderada pela OTAN e cuja tarefa é garantir que todos os lados continuem a cumprir o Acordo de Paz de Dayton de 1995.