A secretária-geral assistente para Assuntos Humanitários listou os bombardeios governamentais, ascensão de grupos extremistas, falta de fundos e bloqueio de rotas como algumas das causas que prejudicam assistência à população.

Cerca de 12 milhões de pessoas no país do Oriente Médio precisam de assistência humanitária, 12 vezes mais que em 2011. Entre elas, 5,6 milhões são crianças. Foto: UNICEF/Alessio Romenzi
“Para as pessoas da Síria e para os trabalhadores humanitários que os assistem, é difícil ver um fim para este pesadelo de violência e destruição”, disse a secretária-geral assistente para Assuntos Humanitários, Kyung-Wha Kang, aos membros do Conselho de Segurança, nesta segunda-feira (29), solicitando a liderança dos 15 membros do órgão da ONU para encontrar uma solução política para o conflito sírio.
A entrega de ajuda humanitária na Síria cada vez está mais crítica, em decorrência das disputas por todas as partes do conflito, pelas mudanças nas linhas de batalha e pelo fortalecimento de grupos extremistas, disse Kang. A alta impunidade no país, os bloqueios de vias de acesso humanitário e a destruição e controle de comunidades, bem como os bombardeios indiscriminados do governo e ataques às instalações médicas, também foram alvo de críticas.
Segundo o Escritório da ONU para Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU, cerca de 12 milhões de pessoas no país do Oriente Médio precisam de assistência humanitária, 12 vezes mais que em 2011. Entre elas, 5,6 milhões crianças.
Apesar do cenário “extremamente desafiador”, as organizações humanitárias continuam operando na Síria e nos países vizinhos, alcançando milhões de pessoas. No entanto, adicionou Kang, a falta de fundos e situação de segurança precária prejudicam a ajuda para 4,8 milhões de pessoas, que se encontram em áreas sitiadas ou de difícil acesso.
“Diante da natureza dinâmica e fluída do conflito na Síria, é crucial que as agências da ONU possam usar toda e qualquer rota, através de fronteiras e linhas de conflito, para alcançar aqueles que precisam de assistência”, disse a representante da ONU. “Mas esses esforços requerem recursos adequados. Apenas um quarto do solicitado para salvar vidas na Síria e na região recebeu fundos até hoje.”